Domingo, 12 de Setembro de 2010

Federer ou um exemplo a não seguir!








Todos os que me conhecem minimamente sabem como sou um apreciador quase incondicional de Roger Federer. Se a perfeição existe, as suas pancadas estão lá bem perto. No entanto, nos últimos tempos, julgo que o suiço perdeu alguma da sua motivação e sobretudo deixou de lutar pelas vitórias como o fazia antes de ser o melhor de todos os tempos. Ontem, na meia final do US Open, frente a um Djokovic que não realizou, longe disso, um encontro brilhante, Federer efectuou aquilo que, do meu ponto de vista, nenhum tenista deveria fazer. Com um break de desvantagem nos 2º e 4º sets, Roger parece ter abdicado de lutar por cada uma dessas partidas, deixando a decisão para a negra. É certo que poderia ter ganho quando Novak serviu a 15-40 4-5 no quinto set. Mas, pergunto-me: por que motivo entregou Federer numa bandeja de prata duas partidas a um adversário que, caramba!, é só o nº ... 3 do ranking! Tanta disciplicência e falta de combatividade também já irrita. E se há adversário do top mundial a quem não é impossível breakar esse será com certeza o sérvio, especialmente após Todd Martin (na foto) ter feito quase tudo para lhe desmontar o serviço.





Também por esse motivo, para a final que se inicia daqui a pouco, aposto numa vitória fácil de Nadal face a Djokovic. Não estou a ver o espanhol a oferecer o que quer que seja a qualquer adversário, sobretudo na final do último major que lhe falta. Por muito que isso me custe!

Ténis Juvenil de bom nível no Bairro do Granito








Neste mesmo fim de semana, realizou-se em Évora uma competição com provas nos escalões de U12 e U16. Como estive em Elvas no sábado (cf. post anterior), não pude acompanhar os jogos desse dia que, segundo me disseram, decorreram num óptimo clima e proporcionaram alguns encontros muito interessantes. Assisti hoje às meias e às finais de singulares. Nos U12, boa vitória de Henrique Lopes (CTE) sobre jogadores que, embora com uma melhor base técnica, não revelaram nem o mesmo empenhamento, nem sobretudo a mesma concentração competitiva. O Henrique precisa de corrigir alguns dos seus golpes sob pena de não conseguir aproveitar todo o gosto e todo o potencial que, inegavelmente, tem. Mas julgo que, com toda a sua dedicação, será fácil percorrer com sucesso esse ainda longo caminho. Neste escalão jogou também o ainda muito jovem Luís Maria Bruno que também revelou uma grande margem de progressão.


O Torneio de U16 foi, do meu ponto de vista, mais interessante. Nas meias, os jogadores da casa Gonçalo Saúde e João Marques puderam defrontar tenistas que, apesar de mais novos, têm outra bagagem técnica. Os eborenses deram boa réplica, fizeram alguns pontos de belo efeito, mas, na hora h, falou mais alto a superior capacidade de António Sabugueiro (na foto) e Miguel Semedo. Os dois tenistas da capital fizeram da final da prova talvez o melhor jogo que assisti no CTE nos últimos tempos. Boa técnica, óptima leitura do jogo e imensa garra. Ao jogo mais maduro de Sabugueiro (apesar de ser ainda U14 do primeiro ano!) respondeu Semedo com uma vivacidade e um sentido atacante que é raro encontrar nestas idades. Valeu a pena apanhar aquele calor para observar dois miúdos que, com certeza quase absoluta, iráo em breve dar cartas no ténis nacional.


Uma palavra final para a boa organização da prova e para a dedicação dos directores do Clube de Ténis de Évora em proporcionar aos seus jovens atletas uma oportunidade de competir em provas de bom nível. É esse, penso, o caminho certo.

Torneio de São Mateus ou a necessidade de repensar as competições de seniores no Alentejo





Desloquei-me ontem a Elvas, para disputar o já tradicional Torneio de São Mateus no escalão de seniores. Tempo óptimo (talvez calor em demasia, mas eu gosto de jogar assim!), ambiente como de costume muito simpático e alguns jogos bem curiosos. Vitória natural no Torneio de Fábio Rocha de Sesimbra que derrotou na final por números pesados o jogador da casa Filipe Sustelo que, apesar de algo em baixo de forma, continua a lembrar quem o vê a jogar o óptimo tenista que poderia ter sido.



Contudo, houve algo que me deixou bastante preocupado: o quadro de singulares (o único que se realizou) esteve muito pouco preenchido. Apenas doze inscritos, sendo que quatro deles pertenciam ao grupo de Veteranos. Ora, para mim, este desinteresse pelos torneios de seniores é um bocado intrigante: se repararmos, é o único escalão em que podem jogar tenistas desde os U14 até aos Veteranos. Numa região já de si com poucos atletas, e com uma densidade competitiva relativamente diminuta, os torneios de seniores servem para os juniores e também para os menos jovens (como eu...) jogar sem a, por vezes excessiva, pressão dos rankings. Sei que em Évora se jogou um torneio U16, de que falarei a seguir. No entanto, penso que tais sobreposições são desnecessárias. Este problema dos torneios de seniores (que também se verificou no S. João de Évora) ainda é mais bizarro quando existe na região um circuito de Ténis no escalão de seniores (uma excelente iniciativa da A.T. Portalegre e de que já aqui falei e que teve este ano a sua segunda edição, com enorme afluência de participantes). Sem querer meter foice em seara alheia, proponho desde já o seguinte: por que não integrar nesse circuito, já em 2011, os tradicionais torneios federados jogados em Beja, Évora, Moura e Montemor? Responda quem quiser...




Dito isto, devo referir que assisti a jogos engraçados, designadamente dois clássicos da raia: a clara vitória de Luís Zagalo (na foto), um exemplo de desportivismo e de gosto pela modalidade, sobre Rui Pataca (ao que consta, este está a operar algumas modificações técnico-tácticas no seu peculiar estilo...) e o interessante confronto que opôs Filipe Sustelo a um Miguel Cardoso que apareceu em boa forma ao longo desta temporada. Por mim, foi excelente voltar ao CETE, um clube onde, apesar da crise, se respira sempre um ambiente genuinamente de ténis e onde é possível encontrar bons amigos de longa data. Em termos desportivos, as coisas correram-me razoavelmente bem, mas ainda não foi desta que trouxe o caneco para casa. Talvez pró ano...