Domingo, 23 de Maio de 2010

Muitos Novos Campeões Regionais... e Zé Ferreira, um magnífico Exemplo!!!






















Numa altura em que, se não me engano, faltam apenas disputar as provas de +40 e +55 (a realizar daqui a 15 dias no CTE), bem como as finais de singulares masculinos dos Campeonatos Regionais Absolutos e de U14, com as presenças respectivamente de Zé Ferreira e de Diogo Rocha e de Pedro Quintal e Pedro Santos, julgo que é importante salientar que, nesta época, houve muitos novos campeões regionais do Alentejo.






Assim, em U12, se Didi Mariano repetiu a vitória do ano passado entre as meninas, o jovem do CTE Henrique Lopes (1ª foto) sagrou-se vencedor entre os rapazes. Tive hoje oportunidade de observar o Henrique (num curioso confronto com David Pedreirinho, para o interclubes U14, vencido pelo CTMN) e acho que ele apresenta claras melhorias no seu jogo que, no entanto, poderá ainda sofrer importantes aperfeiçoamentos técnicos (serviço, volley e especialmente forehand) pois julgo - é uma opinião pessoal... - que apenas assim a sua enorme garra e gosto pelo ténis serão devidamente aproveitados. No escalão seguinte destaque para a montemorense Ana Rita (2ª foto) que venceu a prova do seu escalão. Pareceu-me ter excelentes qualidades naturais para a modalidade, embora necessite de melhorar a sua movimentação no court.






Não acompanhei as competições de U16 nem de U18 (daí a falta de fotos...), mas não deixo de dizer que, no primeiro caso, saíram vencedores Gonçalo Canita (CTE) e Maria Cruz (Elvas). Nos antigos juniores venceram as provas regionais os manos Saúde, Mariana e Gonçalo (CTE).






Por fim, no Absoluto, a também eborense Carolina Palma conquistou pela primeira vez o troféu mais importante do ténis feminino alentejano, enquanto os veteranos Sebastião Fernandes (CTE) e Pedro Cruchinho (CTMN) arrebataram o ceptro absoluto de duplas. Não há dúvida que os tenistas do Bairro do Granito têm estado em destaque nesta época, obtendo uma série de resultados que há muito não se via.






Uma palavra final de destaque para o tetra campeão regional Zé Ferreira que, uma vez mais, evidenciou a sua extraordinária garra, tendo alçançado a final do Absoluto após passar quase 7 (sete!) horas em campo. Embora algo destreinado, o Zé é um exemplo para todos (especialmente para os mais novos!) com o seu gosto pelo ténis e com a sua seriedade competitiva. O Zé é a prova indiscutível de que se pode detestar perder (e ele adora ganhar - só isso explica o magnífico esforço que, em nítida inferioridade física, hoje realizou!) e ao mesmo ter uma atitude de grande fair-play. Em jeito de homenagem, aqui ficam algumas fotos dos momentos finais do seu emotivo jogo (embora nem sempre bem jogado, reconheço) contra o sempre difícil Francisco Rocha.

Ténis a "ferver" no CTE




Fim de semana de muito e bom ténis em Évora. Aproveitando a circunstância de se desenrolar no CTE mais uma etapa do Smash Tour (nos escalões sub 8 e sub 9) bem como a continuação dos Regionais de Sub 14 e Absolutos (adiados há duas semanas atrás devido à chuva...) o clube do Granito viveu dois dias como há muito não sucedia. Muitos jogos, algum público e sobretudo grande animação. Claro que nem sempre foi fácil gerir a enorme quantidade de encontros disputados. Todavia, a boa organização das provas permitiu que as competições se realizassem sempre num bom ritmo e em especial num ambiente (quase) sempre de saudável desportivismo. Como infelizmente já vem sendo norma, e daquilo que pude ver, os maiores problemas disciplinares tiveram a sua origem mais de fora para dentro dos courts, com alguns Pais (nem todos, claro!) mais interessados em sublimar as suas frustrações do que em criar as condições necessárias para que os seus filhos tenistas se divirtam a jogar. Enfim, ... quando assistimos ao que se passou na final do Estoril Open, com o público a comportar-se da forma que foi, não vale a pena estar com muitos mais comentários...


Falemos das coisas boas e, esta manhã, pude assistir a vários jogos com muito interesse e de razoável nível. Em destaque um dos melhores jogos a nível regional dos últimos anos, com o campeão em título José Ferreira a vencer (após quase 4 horas de jogo!) o seu treinador Cristiano Pinto por 67 64 e 76. Mas, embora num patamar tenístico inferior, também foi curioso assistir às boas vitórias do montemorense Hugo Carapinha frente a um Pedro Marques (CTE) a jogar, quanto a mim, o seu melhor ténis de sempre em competições oficiais. Nas fotos que ilustram este texto, encontramos estes dois tenistas durante o segundo set deste disputado encontro (Hugo venceu 46 60 e 64). Destaque ainda para o triunfo do jovem Diogo Rocha (Aljustrel) sobre um Vitor Silva (CETElvas) bastante fatigado depois das duas cansativas (mas saborosas) vitórias do dia anterior.
Em suma, um fim de semana com muito ténis e muito calor. Que venham mais assim...

Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Brad Gilbert ou o segredo de ganhar jogando feio!!!


Nunca vi Brad Gilbert jogar ao vivo, mas recordo-me bem de o ter visto por diversas vezes na televisão. Recentemente, procurei algumas imagens no YouTube e confirmei a impressão que tinha: um jogador sem nenhuma grande pancada, com um estilo nada elegante e que, mesmo assim, conseguiu resultados extraordinários. Foi nº 4 do ATP Ranking. Quando decidiu pôr termo à sua fantástica (então, se atendermos às pancadas que tinha, terei de dizer quase sobrenatural...) de jogador profissional, dedicou-se a treinar alguns tenistas, como Agassi, Roddick ou Murray. Chega?

Há algumas semanas encontrei (não foi cá, pois as livrarias portuguesas não têm destas preciosidades...) um famoso livro de Brad Gilbert com o título "Winning Ugly" (à letra seria"Ganhar Jogando Feio", digo eu). Fui ler o livro e e essa leitura superou todas as expectativas. É um autêntico manual de estratégia e de jogo mental em que, sintetizando imenso, posso dizer que Gilbert explica como procurava mostar aos adversários as suas próprias fraquezas técnicas e estilísticas para assim melhor os derrotar. A leitura é fácil (a coisa tornou-se um dos maiores best-sellers mundiais de sempre da bibliografia desportiva) e faz pensar-nos de forma diferente o modo como encarar a competição, independentemente do nível a que se jogue.

Não vou transmitir aqui nenhuma dica que lá descobri (isso seria como estar a treinar os meus adversários e alguns deles, com os conselhos de Gilbert, ainda ficariam mais duros e chatos do que agora já são...), mas vou apenas citar duas pequenas opiniões acerca deste personagem absolutamente fascinante que é o horrível Brad. A primeira do saudoso Arthur Ashe (antigo jogador e capitão da Davis pelos USA) que disse: "Brad doesn’t have any strokes you’d want to write about!". E, no entanto, Ashe convocou-o para a Taça Davis...
A outra de Big Mac que, é bom lembrar, decidiu abandonar o circuito após ser derrotado por Gilbert: «I've had a number of nemeses in my tennis life (including, all too often, myself). However nobody got to me the way Brad Gilbert did...He could play. He was a better athlete than people realized. He was a pusher — his second serve was a melon, his volleying was fairly shaky, but he got everything back». Este excerto retirei-o da biografia de John McEnroe (Serious,2002, p. 221), acerca da qual, em breve, farei também um post.

Sei que vou perder mais jogos se os meus adversários tiverem lido Winning Ugly. Mas, ao menos, serei derrotado por tenistas que terão nessa altura uma perspectiva mais inteligente acerca do que é jogar competição. E, por isso, as minhas derrotas vão custar um (bocadinho...) menos!
Para compar pela net o livro (embora o livro esteja acessível em qualquer serviço de livrarias on line e a preços bastante acessíveis...) e para saber mais sobre Gilbert, podem consultar o seu site oficial em http://www.bradgilberttennis.com/
Boa Leitura!!!

Domingo, 9 de Maio de 2010

Gil e Machado ou os portugueses sem mentalidade tuga!


Um famoso escritor português afirmou uma vez que somos um povo de pobres com mentalidade de ricos. Julgo que tinha razão. Temos frequentemente a ideia de que Portugal está no centro do mundo e, por isso, vivemos obcecados com a ideia de que os outros, os que vivem lá fora, ou nos invejam ou estão permanentemente a tentar prejudicar-nos. Talvez as coisas não sejam bem assim, mas pelo menos parecem.


Um bom exemplo desta mentalidade a que poderíamos chamar para simplificar tuga verifica-se no ténis. Vivemos obcecados com a ideia de que, por não termos um jogador de classe mundial, alguma coisa está a falhar. Ora, eu penso que as coisas não são bem assim. Se atendermos ao escassíssimo número de praticantes federados (a Federação fala de muitos outros tenistas não federados, mas sinceramente nunca percebi como é que essa contabilidade se faz...), nós temos um (pequeno) lote de jogadores de altíssima qualidade e que, na verdade, não são um verdadeiro reflexo do desenvolvimento do ténis português. De facto, é possível que ainda durante este ano venhamos a ter dois jogadores no Top 100, situação absolutamente inédita.


Ora, se quisermos ser rigorosos, nem Frederico Gil, nem Rui Machado são dos tenistas mais talentosos que têm aparecido nos últimos vinte anos em Portugal. Mesmo entre os que estão ainda em actividade (por exemplo, entre os que jogaram na edição deste ano do Estoril Open), penso que Leonardo Tavares, Michelle Larcher de Brito, Pedro Sousa e sobretudo Gastão Elias têm um potencial tenístico bastante superior. Sei que esta opinião é discutível, mas julgo que há vários e bons motivos para a sustentar. Onde reside então a diferença entre Rui e Frederico face ao típico jogador luso? Para mim, no facto de não terem uma mentalidade tuga. Ou seja, não estão convencidos que se encontram no centro do mundo. Estão no circuito como milhares de outros jogadores de todos os cantos do planeta e procuram destacar-se através do trabalho, da dedicação, do profissionalismo. Mérito indiscutível do seu treinador (Cunha e Silva)? Sem dúvida. Mas ambos revelam especialmente uma elevadíssima formação moral. Dois exemplos. Por um lado, o modo como ambos se entregaram no extraordinário encontro que disputaram na passada sexta-feira, fazendo-o sempre nos limites, mas evidenciando ao mesmo tempo um enorme respeito mútuo. Por outro, a forma como encararam as suas derrotas (Rui frente a Gil e este, na final, frente ao excelente Montanes): com evidente tristeza, mas sem desculpas. Com orgulho pelo trajecto alcançado, mas sempre determinados a evoluir no futuro que já aí vem.


Rui e Frederico podem não ter o ténis mais atractivo do circuito (e eu acho que realmente não têm...), mas merecem todos os elogios dos seus compatriotas. São portugueses, mas não são tugas. Por isso, acho que foram as grandes figuras do mais memorável Estoril Open de sempre.