Domingo, 31 de Janeiro de 2010

CET Elvas revalida Campeonato Regional de Veteranos por Equipas 2010

Os Veteranos de Elvas estão, uma vez mais ,de parabéns, pois, após terem arrebatado em casa o título regional 2009 por equipas no escalão de +35, deslocaram-se ontem a Montemor-o-Novo para, pelo segundo ano consecutivo, se sagrarem Campeões do Alentejo. Com uma equipa baseada sobretudo no excelente Miguel Abreu, um rookie que, ao muito me engano, irá fazer bastantes estragos nesta sua primeira temporada como veterano e num Rui Pataca (na foto, à direita) talvez a atravessar a sua melhor forma de sempre (eu que o diga...), os elvenses acabaram por justificar a vitória por 3-2 frente aos montemorenses, num encontro muitíssimo disputado e que foi apenas decidido no último jogo de pares.
O Clube Ténis de Montemor, ao vencer a Academia de Ténis de Portalegre (equipa capitaneada por Rui Serrano e que, para além do seu habitual desportivismo, evidenciou francos progressos), classificou-se na 2ª posição e uma vez mais foi vítima de boa escolha táctica dos elvenses que apresentaram também Miguel Cardoso (decisivo no derradeiro jogo de duplas!) e José Minas.
Enfim, foi uma excelente tarde de ténis que, para além de momentos de intensa competitividade, contou com um almoço em ambiente de grande convívio e desportivismo. No final da jornada, foi possível recolher a foto da praxe entre os resistentes do campeonato. Espero que, no próximo ano, outras equipas participem nesta prova e, já agora, que a sorte sorria dessa vez à minha equipa. Por isso, toca a treinar como deve ser, rapaziada!

Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

João Lopes ou ... uma outra forma de ver ténis!



João Lopes? Quem é ele? Joga ou é treinador em que clube? Estará certamente a perguntar o leitor deste blog. Outros provavelmente conhecerão o nome e até a cara deste meu convidado de hoje, mas estranharão a sua presença neste contexto. Por exemplo, é possível que alguns ainda recordem, como eu, a gloriosa década de 80 em que na Revista do semanário Expresso, se encontravam as críticas de cinema de quatro pessoas que gostavam e sabiam pensar acerca dos filmes que eram exibidos então em Portugal. Eram eles, Augusto M. Seabra, Eduardo Prado Coelho (infelizmente já desaparecido), Vicente Jorge Silva (sim, esse mesmo, aquele que foi o primeiro director do jornal Público) e ... João Lopes. Confesso que, inicialmente, João Lopes era dos quatro o que eu menos apreciava, pois para mim o que interessava então num crítico de cinema era que ele gostasse dos mesmos filmes que eu gostava de ver. Digamos que procurava com isso uma forma - reconheço agora que ingénua... - de legitimar o meu próprio gosto cinéfilo. Contudo, com o passar do tempo, comecei a perceber que a estratégia crítica de Lopes era, pel menos, peculiar. O seu objectivo principal não era só publicar as suas avaliações acerca dos filmes sobre os quais escrevia, embora também o fizesse. Ou seja, não se tratava apenas de explicar por que motivo se dizia que o filme x era bom e o filme y não o era. O que estava em jogo era chamar a atenção para aspectos menos óbvios de cada filme e, de certa forma, pôr à vista do leitor aquilo que poderia passar como invisível ao espectador de cada filme analisado. Mudei por isso radicalmente de opinião em relação às suas críticas. E, assim, desde essa altura, não perco de vista nenhum dos seus textos.

Ainda hoje, João Lopes continua a fazer crítica de cinema mas, felizmente, alargou o âmbito da sua reflexão para tudo o que sejam imagens (fotografia e sobretudo televisão). Escreve e publica quase todos os dias no Diário de Notícias. Tem de resto um livro muito curioso, chamado Teleditadura. Diário de um espectador, em que relata, durante todos os dias de um ano completo, tudo o que foi vendo no cinema e na televisão. Esse livro, editado há mais de dez anos, chamou-me a atenção por vários motivos, mas aquele que para aqui interessa tem a ver com o desporto e até com o ténis. É que a João Lopes - posso afirmá-lo hoje sem reservas - devemos com certeza alguns dos textos mais inteligentes que se escreveram em Portugal sobre desporto nos últimos tempos. Os meus alunos de Desporto na Universidade sabem desta minha posição e, quando, nas aulas em que lemos um ou outro texto dele, discordam de algumas das suas teses, perguntam quase invariavelmente: «Mas, ó Professor, esse autor alguma vez jogou à bola ou coisa que o valha?». A minha resposta é sempre a mesma: «Não sei, nem me interessa!». O que digo é que aprendi muita coisa do pouco que sei acerca do desporto lendo os textos de João Lopes.

Feitas as apresentações, vou centrar a minha análise no texto hoje publicado no DN, numa rubrica que tem o magnífico título flashpoint e que reproduzo em cima. Já leram tudo? Basta clicar na imagem que ela amplia e o texto fica legível. Pois bem, nesta quase fenomenologia da extraordinária fotografia, está muito coisa dita acerca da beleza da nossa modalidade. No entanto, este texto merece-me duas observações. Em primeiro lugar, julgo que há um equívoco, porventura decorrente de um menor conhecimento prático do ténis. Assim, quando o crítico escreve «podemos supor que a poderosa esquerda de Nadal irá ser aplicada...», certamente ignora ou pelo menos esquece-se que no léxico tenístico português esquerda significa backhand. [Abro aqui um parentesis para dizer que acho o termo inglês muito mais lógico do que o nosso, pois a esquerda de um esquerdino é batida ... à direita! Cá para mim, chamamos direita ao forehand por causa da expressão que os franceses usam. Eles falam do coup droit (à letra, golpe a direito) e no revers (ou seja, golpe batido com a parte invertida da raquete, lá está, backhand). E nós, maus conhecedores da língua de Victor Hugo, lemos droit e toca a traduzir por direita e a outra pancada, para distinguir da primeira, ficou a ... esquerda, provavelmente porque a maior parte dos jogadores batia e continua a bater a forehand à direita do corpo e a backhand à esquerda. O problema é com os esquerdinos, como é óbvio. Já para não falar nos ambidextos: qual é a esquerda de Santoro, por exemplo? Não sei se esta minha interpretação etimológica tem alguma fundamentação histórica, mas à primeira vista faz algum sentido , embora admita que possa estar completamente enganado. Fecho o parentesis].
Ora bem. Claro que a esquerda não é no ténis pancada feita com o braço esquerdo como sucede com os pugilistas, por exemplo. E, por isso, o que Nadal está a fazer é a preparar o seu serviço que, como esquerdino que é, realiza segurando a raquete com a mão esquerda. Enfim, é apenas um pequeno lapso terminológico que não invalida a inteligência deste texto, até porque o autor sabe bem, como se vê pela leitura do último parágrafo, que se trata de um serviço.
A segunda observação tem a ver precisamente com a especificidade do golpe do serviço. É que uma das chaves do êxito de quem serve no ténis passa pela capacidade, ou não, de mascarar que tipo de serviço irá efectuar. Por exemplo, muitos jogadores lançam exageradamente a bola para o seu lado direito quando querem fazer um slice serve. Isso é compreensível e, de facto, quando se ensina a servir com esse efeito é mais fácil e sobretudo mais eficaz dar essa dica. O problema é quando o jogador da resposta descobre que, sempre que o seu oponente lança a bola para o seu lado direito, vem lá um serviço em slice. Nestes casos, o jogador que serve perde a vantagem do factor surpresa no único golpe em que não estamos directamente condicionados pela acção do adversário.Federer e sobretudo Sampras (quando ainda jogava e ele talvez tenha sido o melhor servidor de todos os tempos, mas reconhceço que esta opinião é, como qualquer outra, discutível) são exímios em esconder o tipo de serviço que vão efectuar, pois lançam sempre a bola da mesma maneira, o que dificulta imenso a tarefa do jogador da resposta.
Ora, e voltando à foto de Nadal, julgo que grande parte da amiguidade da sua expressão facial (na excelente descrição de João Lopes: «misto de decisão e ansiedade que se reflecte nas linhas tensas da boca e do queixo»...) tem a ver também com o modo como o maiorquino pretende não dar pistas ao adversário acerca do tipo de serviço que vai escolher. E, de facto, o serviço de Nadal está cada vez mais versátil! E, convem dizê-lo, o texto de João Lopes ajuda-nos a perceber como isso se vê na fotografia da autoria de Mark Baker, o outro imprescindível protagonista deste post.

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Eleições na ATAA


Realiza-se hoje, pelas 20h30m, na sede da Associação de Ténis do Alto Alentejo, em Évora, uma Assembleia Geral desta Associação que comporta dois actos de significado importante. Por um lado, a eleição dos novos corpos sociais da ATAA; por outro, a apresentação e discussão do relatório de actividades e de contas relativas ao ano de 2009. No primeiro caso, a Assembleia de hoje representa o final de um ciclo de dois mandatos de uma direcção, encabeçada por António Palma, de que tive a honra e sobretudo o prazer (apesar de algumas - felizmente, poucas - incompreensões...) fazer parte. Como escrevia Roland Barthes, as honras podem não ser merecidas, mas o prazer justifica-se por si mesmo.
Seria ridículo, por motivos óbvios, fazer aqui uma apreciação do trabalho de quatro anos desta equipa directiva. Por isso, deixo aqui apenas - juntamente com os sinceros votos dos melhores êxitos para os novos corpos sociais da ATAA - uma cópia do nosso último relatório de actividades. O leitor, se quiser, pode responder a este serviço que, asseguro, não leva nenhum slice.






ASSOCIAÇÃO DE TÉNIS DO ALTO ALENTEJO
RELATÓRIO DE ACTIVIDADES 2009
1.INTRODUÇÃO
A Direcção da Associação de Ténis do Alto Alentejo (ATAA), empossada no início do ano de 2008, enquadrou a sua acção, durante o ano a que se refere o presente Relatório, no âmbito das principais linhas orientadoras para o desenvolvimento do ténis na região do Alentejo, a saber, Fomento, Fidelização, Área Desportiva, Formação. Este quadro já tinha vindo a ser o ideário pelo qual se pautou a actuação da Direcção precedente que entrou em funções em 2006. Por isso, ao redigir este Relatório, optou-se mais uma vez por abordar separadamente cada uma destas áreas de intervenção.
2.FOMENTO
Como temos vindo constantemente a defender, os Clubes são o principal motor do desenvolvimento do Ténis. Ora, verificamos que o número de Clubes na região tutelada pela ATAA é ainda bastante escasso. Por outro lado, alguns deles encontram-se presentemente a desenvolver pouca ou quase nenhuma actividade. Há ainda outros clubes cujo trabalho desenvolvido deixa bastante a desejar, designadamente na qualificação dos recursos humanos e no manifestamente reduzido número de licenças fedderativas.
Neste quadro, procurou a ATAA intervir em duas frentes: por um lado, apoiar a criação e o desenvolvimento sustentado de clubes ou secções de Ténis em clubes de localidades onde houvesse equipamentos desportivos e/ou recurso humanos para tal. Por outro lado, apoiar, dentro das suas competências, os clubes já existentes e que, durante este ano, apresentaram manifestas dificuldades em levar a cabo as suas actividades habituais. Reafirmamos que, apesar de todos os constrangimentos financeiros da ATAA e da própria região em geral, esta é uma área prioritária para o desenvolvimento do ténis no Alentejo e na qual, apesar do que já se conseguiu, muito há ainda para fazer. Aos clubes cabe, por isso, uma importante e decisiva palavra para melhorar o fomento da modalidade na nossa região.
Uma outra ideia que, desde sempre, nos pareceu essencial é que os programas de Mini-Ténis constituem uma maneira privilegiada (mas não a única) de promover o fomento da modalidade. O objectivo destes programas não se esgota, muito longe disso, em formar
jogadores do chamado Ténis de alto rendimento. O seu alcance é bem mais vasto, pois trata-se de uma maneira de formar jogadores com uma base técnica sólida e que, por esse motivo, poderão vir a jogar Ténis durante toda a vida. Neste âmbito, a ATAA tem conseguido todos os anos junto da Federação Portuguesa de Ténis (FPT) o apoio, através de uma verba simbólica, com vista à realização de duas jornadas de promoção do Mini-Ténis. Mais uma vez alertamos para a fraca adesão por parte de quase todos os Clubes para a concretização desta iniciativa, cuja importância nos parece indiscutível.
3. FIDELIZAÇÃO
Durante o ano a que se refere o presente relatório, a ATAA conheceu um aumento no número de licenças federativas, embora muitos jogadores – ainda que em menor número –tenham deixado de ser licenciados na nossa Associação. O saldo entre saídas e entradas é, apesar tudo, positivo. Tal facto é naturalmente motivo de satisfação (até porque contraria uma tendência geral de sentido inverso em quase todas as outras associações do país), mas importa também referir que, se repararmos num outro elemento de informação (os rankings da FPT, onde é necessária apenas a participação dos jogadores em três provas oficiais do seu escalão), o panorama está longe de ser animador. Há poucos jogadores da ATAA que participam com uma regularidade mínima em competições oficiais e, sobretudo, são poucos os clubes que apresentam um número minimamente satisfatório neste capítulo. Relembramos novamente da necessidade dos clubes promoverem a fidelização de todos os agentes desportivos de modo a unir as pessoas neste projecto para garantir o futuro da nossa modalidade. Não inscrever pessoas, é preciso que elas joguem realmente ténis.
4. ÁREA DESPORTIVA
Como é sua competência estatutária, a ATAA organizou os seguintes campeonatos regionais individuais: Sub 12, Sub 14, Sub 16, Sub 18, Absolutos, +35, + 40, +45, +50 e +55, bem como os regionais por equipas nos mesmos escalões, excepto naqueles em que, devido à escassez de inscrições, a única equipa participante transitou para as fases inter-regionais ou nacionais. De referir ainda que a ATAA promoveu um jantar de distribuição de prémios relativos ao ano de 2009, que contou com mais de cem participantes.Nesse evento, a ATAA decidiu homenagear com o Prémio Carreira o Dr. João Sousa Costa, dirigente, treinador e jogador do Clube de Ténis de Aljustrel. Tanto quanto sabemos, foi esta a primeira vez que tal galardão foi atribuído.
5. FORMAÇÃO
No sentido de colmatar lacunas detectadas a nível de recursos de treinadores a ATAA organizou, em estreita colaboração com o Departamento de Formação da FPT ano a que se refere o presente relatório, em Montemor-o-Novo de um curso de Treinadores de Nivel 2, a realizar durante os meses de Junho e de Julho. Tratou-se de um Curso inédito na ATAA e que contou com cerca de uma dezena de participantes, quase todos a exercer funções em clubes da
ATAA, pelo que doravante o grau de qualificação de muitos treinadores alentejanos é claramente superior. Julgamos que, apesar dos esforços que a ATAA tem desenvolvido nos últimos anos, o sector da formação é ainda uma área que carece de importantes e urgentes melhorias. Por outro lado, reafirma-se mais uma vez a necessidade (que de resto é imposta pela FPT) de todos os clubes terem os seus quadros técnicos devidamente creditados e em situação regularizada, situação que continua a estar longe de ser satisfatória.
6. CONCLUSÃO
Estas foram, em síntese, as actividades mais relevantes da ATAA ao longo do ano de 2009. Enquanto Direcção da ATAA, sabemos que não fizemos tudo, mas talvez não tenhamos ficado muito longe de fazer tudo aquilo que as condições neste momento nos permitem. Como nota final, julgamos que vale a pena referir que pautámos a nossa acção pela transparência de processos e pela rapidez e clareza das informações prestadas, utilizando quase sempre o correio electrónico. De referir ainda a escassa participação dos clubes nas acções da ATAA, a saber: assembleias, competições federadas regionais (individuais e por equipas) bem como a solicitações pontuais (por ex. Ranking ATAA ou jantar anual).
Como nota final, aproveitamos para agradecer a todos aqueles que colaboraram com a Direcção da ATAA ao longo destes últimos quatro anos. Grande parte do que foi feito só se tornou possível com a participação de todos os agentes do Ténis alentejano. Ao mesmo tempo, desejamos à nova Direcção da ATAA os maiores êxitos na concretização dos objectivos que irá delinear com vista ao desenvolvimento do Ténis na nossa Região.
Évora, 15 de Janeiro de 2010

Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Federer, Hannah Arendt ... e os inícios de temporada!







Numa extraordinária entrevista publicada hoje no prestigiado diário francês l'Équipe, Roger Federer mais uma vez dá mostras de que um tenista é tanto melhor quanto mais inteligente conseguir ser. A conversa, realizada no Dubai, com o jornalista Fréderic Bernès merece ser lida por variadíssimos motivos e não apenas pelos fans do tenista suíço, embora estes últimos se possam deleitar com alguns aspectos da vida privada da família Federer. Um pormenor apenas para aguçar a curiosidade. Como lida Roger, que diz precisar de dormir pelo menos onze/doze horas por dia para se encontrar em forma conveniente, com as más noites causadas pelas suas gémeas?





Mas claro que a entrevista tem temas mais relevantes. Por exemplo, Federer não hesita em analisar o jogo dos seus adversários ou em assumir que, em certos torneios, está mais interessado em trabalhar aspectos técnicos e tácticos do seu jogo do que propriamente em vencer jogos. Por outro lado, Roger diz que se sente mais motivado do que nunca e explica as razões para tal. E sobre Nadal e o facto de não querer defrontá-lo na próxima eliminatória da Davis? O suíço não esconde o jogo e revela, uma vez mais, o seu inegável fair-play, até quando foca as últimas trapalhadas sentimentais de um dos seus maiores amigos, o golfista Tiger Woods.





Contudo, o aspecto que queria salientar diz respeito às confissões que Federer faz acerca do modo como recupera a motivação nos momentos de maior desânimo. Eis as suas palavras, numa tradução mais ou menos livre da minha responsabilidade: «Para mim, não é preciso encontrar uma motivação exterior. O que faço muitas vezes é voltar às minhas raízes: Por que motivo escolhi, quando era criança, jogar ténis? Por que motivo trabalhei tanto ao longo destes últimos anos? O que é que me dá mais prazer quando jogo? E encontro de imediato as respostas para estas questões. É simples: não penso que exista alguém que goste tanto de ténis como eu». Podemos fazer uma leitura deste back to basics proposto por Federer a partir de um conceito filósofico de Hannah Arendt, para quem o que nos define como humanos é precisamente a possibilidade de renascermos continuamente. No seu célebre The Human Condition, a filósofa alemã de origem judia escreve o seguinte: «Todas as actividades humanas possuem um elemento (...) de natalidade» (trad. port., p. 21). Ou seja, sempre que agimos é como se recomeçássemos e note-se que, para Arendt, apenas quando agimos (action) é que afirmamos a nossa especificidade enquanto seres humanos. É um pouco como quando começamos uma nova época tenística e temos um novo calendário de provas pela frente. Nasce um novo ano e renascemos ao voltar a jogar.
Não sei se Federer alguma vez leu uma página de Hannah (na foto, numa pose pouco desportiva, de cigarro na mão), até porque parece preferir a PlayStation e, pasme-se (no melhor pano cai a nódoa!), era conhecido por apreciar bastante heavy-metal. Mas, quem sabe?, talvez Arendt quando foi viver para os States tenha assistido a alguns jogos de ténis. Ou, se calhar, o problema é meu que ando a corrigir frequências em excesso e, por causa disso, faço analogias demasiado forçadas.

Domingo, 3 de Janeiro de 2010

Algumas notas na abertura da época internacional












Começa hoje a época oficial do circuito profissional da nossa modalidade de ténis. É altura para fazer algumas observações e outras tantas apostas.




Do que me foi possível observar nestes primeiros dias do ano (vi, quase na totalidade, as 1/2 finais e os jogos finais do Capitala World Tennis Championship em Abu Dhabi), julgo ser possível extrair duas primeiras conclusões que, no entanto, devem ser temperadas com alguma reserva. Estamos numa fase muito prematura da temporada e, por outro lado, uma coisa são jogos de exibição e outra provas "a doer". Mesmo assim, julgo que ambas são boas notícias. Em primeiro lugar, Nadal e Federer parecem caminhar para o reencontro com a sua melhor forma (com muita pena minha, Roger já anunciou que não vai a Espanha jogar a primeira eliminatória da Davis). Apesar do espanhol ter ganho o torneio, julgo que o suiço está nesta altura ligeiramente por cima. Penso que a sua derrota nas meias frente a Soderling ficou a dever-se mais a algum relaxamento do que a qualquer outro factor. Nadal, por seu turno, tinha contas a ajustar com a sua bête noire e isso talvez o tenha pressionado um pouco mais a vencer. Mas a verdade é que Soderling também acusou essa pressão (várias duplas em momentos decisivos...), porque também ele, julgo, considerou essa final como algo mais importante do que um mero confronto de preparação.




Em segundo lugar, Federer pareceu-me muito mais solto do que nos últimos tempos, com uma enorme confiança na sua esquerda quer em slice, quer em top spin (teria sido curioso testá-la frente a um esquerdino como Rafa, mas isso fica para depois...), mas sobretudo pareceu-me que está a voltar à sua filosofia de jogo mais ofensiva, procurando os terrenos da rede quase por sistema nos seus jogos de serviço (pancada que também parece de volta) e até, pasme-se, fazendo chip and charge nos segundos serviços dos oponentes. Será que vamos assistir, finalmente, a um regresso ao ténis jogado junto à rede? Espero bem que sim, até porque Soderling, Nadal e Ferrer também fizeram bastantes volleys nos jogos que vi. Sei bem que nos torneios exibição os tenistas arriscam bastante mais e até procuram dar espectáculo, pelo que é possível que estas invenções não tenham continuidade nos jogos mais a sério. Mas que fiquei com água na boca, lá isso fiquei...


Em relação aos tenistas portugueses, uma palavra inicial para Gil que abre a época entre os grandes jogando no Qatar Exxon Mobil Open 2010 (em Doha) frente a Potito Starace e, caso vença (seria óptimo e vou fazer figas para que isso aconteça...), encontrará previsivelmente... Nadal! Que grande começo de época, num ano que será decisivo para o Frederico. Boa sorte!
A seguir também com muita atenção a carreira das outras figuras tugas 2009: Rui Machado, Pedro e João Sousa. E, especialmente, desejar que a grande decepção do ano que findou, Gastão Elias - para mim, com José Manuel Cordeiro (sim, o irmão mais velho do nosso capitão da Davis), o jogador com mais potencial que alguma vez vi em Portugal! - possa reencontrar o trilho do óptimo ténis que já jogou. Já é tempo que isso aconteça...
Das meninas, falarei em breve, até porque, no próximo mês, temos uma importante eliminatória da Fed Cup nas novas instalações do CAR (outra boa notícia de 2009...) do Jamor.