Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Notas sobre Roland Garros: apologia da esquerda a uma mão...















Talvez pareça uma miserável provocação começar estas notas sobre a última edição de Roland Garros com uma apologia da esquerda a uma mão. Já pressinto os nadalianos a ranger os dentes e a dizer: «Agora, este tipo foi longe de mais!». Por isso, digo desde já: Rafa mereceu amplamente, com uma nitidez semelhante à de há dois anos, vencer o French. Exibiu superioridade incontestável sobre todos os oponentes (embora não tenha defrontado Federer e, se isso tivesse sucedido num dia quente como a sexta ou o sábado passados, julgo que teria cedido pelo menos um set...), sobretudo na meia-final e na final que se tornaram jogos quase chatos.
Dito isto (e só Deus sabe como isto me custou a sair do teclado...), qual o jogador que, na minha opinião, mais perto esteve de molestar Nadal? Sem dúvida, Nicolas Almagro que, depois da boa exibição efectuada em Madrid, voltou a mostrar que, num dia menos feliz do maiorquino, pode incomodar aquele que, não tenho dúvidas nenhumas sobre isto, é o melhor jogador de clay courts de todos os tempos. Mas a verdade é que El gordo está melhor do que nunca e a sua backhand é das mais estéticas do circuito (por exemplo, acho que o Wawrinka roda excessivamente os ombros após o impacte da raqueta na bola). Considero um bocado irritante aquela mania do Almagro festejar cada ponto como se fosse um match-point, mas tecnicamente é magnífico.

Se o Astérix fosse vivo, diria certamente: Ils sont fous ces ... Gaulois! Pelo menos os Gauleses que organizam o torneio mais importante da temporada em terra batida. Então, não foram obrigar o francês com a melhor esquerda a uma mão a ter de jogar apenas um dia após a difícil vitória sobre Verdasco no Open de ... Nice? Bela recompensa para um jogador que anseia voltar ao lugar cimeiro onde já esteve... Não admira, por isso, que Gasquet não tenha aguentado o ritmo, a pressão e a dureza de uma primeira ronda de Roland Garros e deste modo tenha cedido numa fase tão precoce do seu Grand Slam. Ou, se calhar, não são tão loucos assim, estes Gauleses, e terão preferido que Richard preparasse como deve ser a temporada em relva onde, a avaliar pelas exibições de hoje e sobretudo de ontem em Queens, talvez tenha mais hipóteses de sucesso. De qualquer modo, Gasquet - apesar de todas as peripécias da sua carreira (lembro que aos doze anos ele já era capa na Tennis Magazine), incluindo a suspensão (injusta?) por doping - é detentor de uma fabulosa esquerda quer batida, quer em slice. Ou me engano muito ou irá dar que falar em Wimbledon...
Por fim, Schiavone rompeu com a quase insuportável monotonia do ténis feminino actual, muito por força da sua extraordinária ... esquerda a uma mão!!! Pode não ser a figura mais elegante nos courts (e sobretudo fora deles...), mas o seu jogo tem uma versatilidade talvez só comparável a uma das grandes decepções do torneio parisiense, a belga Justine Hénin (com a sua grande esquerda a ... uma mão!).
Sim, falta falar de Federer e da sua extraordinária backhand (que, mesmo assim, é o seu golpe menos forte!), mas para escrever alguma coisa sobre o suiço talvez seja preferível esperar mais três semanas. É o que espero, pelo menos!







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