Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Citroën Montemor Ladies Open: uma edição histórica!

















Para falar verdade, todas as edições do Ladies Open de Montemor são históricas, pois a cada mês de Junho sucede uma espécie de milagre no clube local. Com efeito, o CTMN consegue pôr de pé a cada ano que passa e com uma incrível regularidade sem falhas aquele que é provavelmente um dos torneios de 10 000 dólares mais simpáticos do circuito feminino da International Tennis Federation. No que toca a organização de eventos competitivos do ténis alentejano o Ladies Open é sem dúvida a jóia da coroa. Desde há alguns anos, o torneio é ajudado na sua organização por um sponsor que mais uma vez dá provas do seu grande apreço pela nossa modalidade.
Como é costume, dirigi-me a Montemor para assistir àquilo que me foi possível observar. Mais uma vez constatei a excelência da organização da prova e, no sábado passado (segundo dia do qualy), pude presenciar um acontecimento. Ou, como me dizia Cristina Reis, directora do torneio e a quem o ténis alentejano tanto deve : «É o concretizar de um sonho!». De facto, e pela primeira vez, uma tenista alentejana, a ainda muito jovem Ana Filipa Santos (este ano a representar o clube da sua terra, Santo André, após ter sido durante várias épocas atleta do CTMN), participou no torneio e, depois de derrotar em três disputados sets a espanhola Amaia Ormazabal-Oregui, encontrou na 2ª ronda a portuguesa Claudia Cianci. Já não via a Pipa (na primeira das excelentes fotos de José Rasquinha que, com a devida vénia, retirei do blog do CTMN, a fazer um excelente smash!) a jogar desde há largos meses e ela voltou a impressionar-me pelas suas invulgares aptidões naturais e técnicas. Não há no ténis feminino português muitas jogadoras com idêntico potencial. No entanto, julgo que, do ponto de vista táctico e especialmente da abordagem do jogo, há ainda muito trabalho a fazer. Só assim se explica o modo quase incompreensível como não venceu um jogo face a uma adversária que, apesar de lhe ser claramente inferior, nunca se desligou do jogo, vencendo por isso justamente, graças à sua maior concentração e garra.
Problema quase semelhante parece-me existir em Beatriz Santos. Tecnicamente apuradíssima, a jovem tenista portuguesa parece que se esqueceu de que, numa prova (ainda para mais num ITF), vencer é o objectivo principal. Ora, a germânica Insa Wickmann não mostrou melhores pancadas do que a Beatriz (longe disso...) mas, nos pontos decisivos, fez falar a sua maior experiência competitiva. E isto apesar do ténis da Beatriz (2ª foto) ser magnífico, acerca disso não tenho nenhumas dúvidas.
Para terminar esta agradável tarde de sábado, uma referência para a tranquila inteligência e excelente toque de bola (é de família...) de Mafalda Lhorca. Sem apresentar nenhum golpe especialmente vistoso, Mafalda (3ª foto) soube abordar um jogo frente a uma adversária, a mexicana Cristina Melgarejo, menos difícil do que parecia (tal a velocidade e o peso das suas pancadas), actuando de um modo bastante pragmático. Venceu assim o encontro com uma descontracção digna de realce e fazendo uso de um óptimo domínio do slice e do amortie. E como no ténis o que conta é falhar menos do que o adversário...
Voltei a Montemor esta manhã e apenas pude também assistir a um interessante encontro entre a veterana sérvia Bojovana Borovnica (4ª foto) e a jovem francesa Alice Tisset (5ª foto). Venceu esta última, apresentando um ténis que me fez lembrar, pela sua inteligência e garra, a antiga campeã espanhola Arantxa Sanchez. Ou me engano muito ou ainda iremos ouvir falar de Alice... Quanto a Borovnica, nem o facto de se apresentar (foi o que me pareceu) adoentada a impediu de apresentar um tipo jogo clássico que, caso estivesse bem fisicamente, poderia ser bem mais eficaz. Justificou assim cabalmente o wild card que a organização lhe concedeu.
Se puder, ainda voltarei a Montemor durante esta semana...

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