Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Novos Campeões, Problemas Velhos

O Clube Ténis de Évora (sub 16) e o Clube Ténis de Montemor-o-Novo (sub 12, na foto) sagraram-se, no passado fim de semana, nos primeiros campeões regionais por equipas de 2010. Por isso, uma primeira palavra de parabéns para os dois clubes, para os seus dirigentes, treinadores e sobretudo jogadores, que começaram muito bem esta nova temporada.
Dito isto, não posso deixar de lamentar que estas competições por equipas tenham envolvido tão poucos clubes pois se, em Elvas, os jovens montemorenses venceram a formação local, na localidade de Moura, os jogadores sub 16 do CTE derrotaram os tenistas da casa, pois o CETE, apesar de inscrito, não pôde comparecer (admito que com motivos mais do que justificados!). Assim, talvez faça sentido pensar se vale a pena continuar a realizar regionais por equipas com uma participação tão reduzida de atletas.
Claro que os jogadores e os clubes que participam fazem a sua obrigação e aparecem para jogar, mas pergunto: E os outros clubes? Custará assim tanto reunir 3 rapazes e 2 raparigas nos sub 12 e 4 rapazes nos sub 16? Se custar, então talvez não se justifique a existência da ATAA que, sei bem do que falo, já muito tentou fazer para alterar esta situação.
Pode ser que os novos corpos sociais da Associação, a eleger muito em breve, consigam mudar este cenário. É esse o desejo que agora manifesto para o ano de 2010 e para aqueles que virão a seguir.

Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Esboço de um balanço de década


Como é costume nestas alturas de finais de ano e, no caso em apreço, de decénio (cf. excelente número da revista Visão, na foto), tomei a iniciativa de homenagear os tenistas alentejanos que mais se destacaram na primeira década deste milénio. O critério para estabelecer este ranking é, obviamente, discutível, como todos o seriam, de resto. Optei por pôr em relevo os resultados obtidos em todos os Campeonatos Regionais Absolutos de 2000 até 2009, atribuindo a cada uma das variantes a seguinte ponderação:



Vencedor: 100 pontos
Finalista: 50 pontos
1/2 Finalista:25 pontos
1/4 Finalista: 12,5 pontos


No caso das provas de pares masculinos e de pares mistos, reparti os pontos obtidos por cada equipa pelos seus dois elementos. Nas provas de pares e de singulares femininos, decidi contabilizar os pontos até às 1/2 finais, pois os respectivos quadros foram sempre menos compostos. Infelizmente nos arquivos da ATAA, que consultei pacientemente, faltam alguns quadros e, por outro lado, nos recortes do Diário do Sul (sem dúvida o jornal indispensável para quem queira, no futuro, fazer a história do ténis eborense) que tenho cá por casa, nem sempre foi possível reconstituir todos os Campeonatos Regionais Absolutos. Numa busca provisória, eis o que consegui apurar:

2000 ( realizado em Évora)
SM
V Marcos Duarte (CETE) F Gerard Quenardel (CTE)
½ Antelmo Serrado (CTM) Tomé Correia (CTM)
¼ João Sereno (CETE) João Lima (CTE) Joaquim Simões (CTE) Rui Pereira (CTE)
SF
V Marta Correia (CTM) F Marina Duarte (CETE)
½ Silvana Reis (CETE) Isabel Barradas (CETE)
PM
G.Quenardel/N.Cabral (CTE) F A.Serrado/T.Correia (CTM)
½ J.Sereno/M.Duarte (CETE) L.Zagalo/A.Andrade Silva (CETE)

2001 (Elvas)
SM
V Marcos Duarte (CETE) F Gerard Quenardel (CTE)
½ João Lima (CTE) Tomé Correia (CTM)
¼ Tomás Lucena (CETE) Joaquim Simões (CTE) João Ferreira (CTE) Jorge Fonseca (CTE)
SF
V Marta Correia (CTM) F Marina Duarte (CETE)
½ Sara Catarrunas (CTM) Ana Zagalo (CETE)
PM
V L.Zagalo /M.Duarte (CETE) J.Sereno /A.Andrade Silva (CETE)
½ G.Quenardel/J.Lima (CTE) André Silva/João Paiva (CETE)

2002 (Elvas)
SM
V Marcos Duarte (CETE) F Nuno Mateus (CETE)
½ Francisco Rocha (CTA) Nuno Guerreiro (ZA)
¼ Luís Zagalo (CETE) André Rebocho (CTE) Sérgio Freire (ZA) Tomás Lucena (CETE)
SF
V Marta Correia (CTM) F Marina Duarte (CETE)
½ Margarida Garcia (CTM) Ana Malhão (CTMN)
PM
V L.Zagalo /M.Duarte (CETE) F A.Rebocho (CTE) /A.Silva (CETE)
½ Tomás Lucena/António Patrício (CETE) Filipe Sustelo/Paulo Lucena (CETE)

2003 (Elvas)
SM
V Francisco Rocha (CTA) F Marcos Duarte (CETE)
1/2 Luís Zagalo (CETE) André Rebocho (CTE)
1/4 Tomé Correia (CTM) Hugo Páscoa (ZA) José Ferreira (CTE) António Andrade Silva (CETE)
SF
V Marina Duarte (CETE) F Marta Correia (CTM)
1/2 Dídia Horta (ZA) Ana Barrocas (ZA)
PM não se realizou

2004 (Beja)
SM
V Francisco Rocha (CTA) F José Ferreira (CTE)
½ André Rebocho (CTE) Filipe Sustelo (?) (CETE)
¼ Manuel Murteira (CTE) ? ? ?
SF ?
PM
V José Sustelo/Filipe Sustelo (CETE) F José Ferreira/A Rebocho
½ ???

2005 (Évora)
SM

V José Ferreira (CTE) F Francisco Rocha (CTA)
½ André Rebocho (CTE) João Silvério (CTA)
¼ Sebastião Fernandes (CTE) José Fonseca (ZA) Vasco Pedrosa (CTE) Luís Mata (CTE)
SF ?
PM
V Gonçalo Marques (CTE) J. Silvério (CTA) F J. Ferreira/A.Rebocho (CTE)
½ J.Lima/Rui Nunes (CTE) S.Fernandes/P.Cruchinho

2006 (Montemor)
SM

V José Ferreira (CTE) F Guilherme de Souza (CTE)
½ Nuno Guerreiro (ZA) João Silvério (CTA)
¼ Joaquim Simões (CTE) André Rebocho (CTE) Manuel Murteira (CTE) Luís Mata (CTE)
SF
V Marta Correia(CTE) Teresa Rosado (CTM)
1/2 Cristina Pata (CTE) Elsa Raimundo (CTMN)
PM
V Gonçalo Marques/Cristiano Pinto (CTE) F Gonçalo Simões/João Breia (CTMN)
½ J.Lima/José Lima (CTE) Nélio Alexandre/G.Souza (CTE)

2007 (Beja)
SM
V Ruan Lopes (CTE) F José Ferreira (CTE)
½ Nuno Guerreiro (ZA) Gonçalo Simões (CTMN)
¼ Bernardo Janeiro (CTM) António Villas-Lobos (CTMN) João Encarnação (CTM) Cristiano Pinto (CTE)
SF
V Marta Correia (CTM) F Sílvia Rosa(CTE)
½ Margarida Pereira (ZA) Elsa Raimundo (ZA)
PM não se realizou

2008 (Elvas)
SM

V José Ferreira (CTE) F Cristiano Pinto (CTE)
½ Lucas Pinto (CTE) Gonçalo Simões (CTMN)
¼ António Palma (CTE) João Lima (CTMN) Miguel Abreu (CETE) João Mantas (CTMN)
SF
V Marta Correia (CTM) F Cristina Galacho(CTE)
½ Ana Margarida Lopes (CTE) Carolina Palma (CTE)
PM não se realizou

2009 (Évora)
SM

V José Ferreira (CTE) F Gonçalo Simões (CTMN)
½ Ricardo Lopes (CTE) Pedro Figueiredo (CTE)
¼ João Rodrigues (CTE) Pedro Cruchinho (CTMN) João Lima (CTMN) Diogo Rocha (CTA)
SF
V Ana Filipa Santos (CTMN) F Marta Correia (CTM)
½ Ana Margarida Lopes (CTE) Mariana Saúde (CTE)
PM
V G.Marques/J.Lima (CTMN) F J.Ferreira/S.Fernandes (CTE)
½ Hugo Carapinha/Gonçalo Simões (CTMN) Guilherme Palma/Ricardo Lopes (CTE)
PMX
V G.Marques/A.F.Santos (CTMN) F M.Correia (CTM)/S.Fernandes(CTE)
½ Gonçalo Simões/Cristina Pata (CTMN) Ricardo Lopes/Ana M. Lopes (CTE)

Mesmo tendo em conta os (poucos) resultados que falta ainda apurar e, repito, de acordo com estes critérios que escolhi, não tenho dúvidas de que Marta Correia é, de longe, a melhor tenista do Alentejo nesta década, averbando 6 títulos e outras 2 finais. Ou seja, quando houve prova de singulares femininos, a Marta esteve sempre no jogo decisivo . Em relação ao sector masculino, há uma luta bastante renhida entre o elvense Marcos Duarte (3 títulos em singulares e 2 em pares, com 462,5 pts, julgo eu) e José Ferreira do CTE (4 vezes campeão em singulares e, pelo menos, duas vezes finalista e um total provisório de 487,5 pts), com uma ligeira vantagem, parece-me, para este último. Em destaque também tem de figurar o veterano Francisco Rocha com dois títulos absolutos (com um total de 275 pts), em ambas ocasiões representando C.T. Aljustrel.
Nas provas de pares julgo que há também alguma indecisão entre Gonçalo Marques e Luís Zagalo quanto ao tenista mais pontuado, pelo que os resultados em falta poderão fazer a diferença.
Em termos globais, parece-me que, durante a primeira metade da década, Elvas foi dominante e, nos últimos anos, Évora assumiu uma clara supremacia. De registar os óptimos desempenhos de Moura e de Aljustrel ao longo de quase toda a década, ao passo que Montemor apenas no último ano conseguiu obter resultados relevantes em séniores.
Muito agradecia, portanto, que quem soubesse preencher o que falta deste meu balanço com os scores que ainda não consegui reunir me enviasse essa preciosa informação, para eu fazer o ranking dos melhores do ténis alentejano de 2000 a 2009.
Aproveito para desejar Boas Festas a todos os leitores e um 2010 cheio de Ténis!

Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Ténis ... à lareira!






















Com o tempo que faz agora, apetece-me menos sair de casa para ir jogar ténis. A hora do almoço é a única suportável para se bater umas bolas nesta época no Alentejo. Isso não significa que os tenistas devam hibernar neste tempo em que a actividade é menos intensa. É uma boa altura para apostar na preparação física com umas idas ao ginásio, por exemplo.Por outro lado, enquanto esperamos pelo início da temporada, há pouco ténis na televisão. Em breve, estará a entrar pelas nossas casas e (sobretudo pelas nossas madrugadas...) o Australian Open, mas ainda faltam algumas semanas.O que fazer, então, enquanto o Inverno tenístico não passa? Eis uma boa ocasião para os aficionados da modalidade dedicarem alguma atenção àquilo que se escreve e publica acerca dela. Por agora, dedicarei a minha atenção às publicações periódicas. Claro que hoje o ténis tem uma presença quase diária nos canais televisivos temáticos (Sport TV e Eurosport), embora curiosamente só na altura do Estoril Open a RTP dedique alguma atenção ao nosso jogo. Por outro lado, há nesta altura, como nunca houve, muita informação que podemos retirar dos blogs e dos sites na Internet.Mas, mesmo assim, há coisas que precisam de ser lidas, até para estimular a inteligência que, desse modo, nos ajuda a perceber melhor o jogo.


Assim, perguntar-se-á: o que se pode ler sobre ténis em Portugal e em especial no Alentejo? Para além de ser escandalosa a inexistência de uma revista portuguesa especializada, não vivemos propriamente no deserto editorial. Para começar, convem que refira o Jornal do Ténis que costuma sair na primeira sexta-feira de cada mês com o jornal Record e que é sempre uma alternativa razoável, pois não custa nada para quem compra o jornal. Mas só por causa deste suplemento mensal vale a pena estar atento no início de cada mês. O Jornal do Ténis acompanha bastante as provas internacionais, dando justificado destaque às prestações dos jogadores portugueses. Aprecio especialmente a coluna do meu amigo Miguel Seabra - com quem cheguei a fazer alguns animados sets na Figueira, embora não o tenha visto por lá nestes últimos anos... - que, para além de tudo, é uma pessoa que exemplifica um princípio que acho importante: para se saber de ténis a sério não basta saber apenas de ténis. E eu acho que o Miguel sabe muito de ténis. Aspectos menos positivos do Jornal do Ténis? A escassez de páginas não dará com certeza para tudo, mas achava interessante que se procurasse explorar mais aspectos técnicos e até tácticos do jogo.


Ainda em português (mas do Brasil...), chegou-me recentemente às mãos a magnífica Revista Tênis. Preço acessível, muitos artigos de opinião - e este é um aspecto em que hoje as revistas tenísticas têm de apostar, pois o leitor já sabe o que aconteceu via televisão ou internet, mas precisa de saber por que motivo tal aconteceu... - e em especial excelentes artigos técnicos, sobre táctica e estratégia de jogo e, pasme-se, sobre ética e fair-play. Por exemplo, no último exemplar que chegou à minha tabacaria (e esse - o atraso com que chega a Portugal - é o maior problema desta publicação, pois já sairam pelo menos 6 números entretanto), devo destacar o extraordinário artigo da autoria do treinador Carlos Omaki com o título Saiba se comportar na quadra (nº 69, pp. 34-38). Não resisto a citar uma (muito útil) passagem sobre o que o autor chama "torcida prejudicial :«Lembre-se que você, tenista, é o responsável por todas as pessoas que ingressam em um clube ou academia para assistir seus jogos. Por isso, nada de levar bagunceiros para irritar o adversário ou torcedores muito acostumados com outros esportes - como futebol, por exemplo -, em que manifestações espontâneas e barulhentas são normais. Todos os atos de seus acompanhantes, sejam pais, técnicos ou torcedores, serão cobrados de você com o uso dos códigos de conduta». Lapidar!!! Se quiserem ler o artigo todo, é favor consultar o seguinte endereço electrónico: http://revistatenis.uol.com.br/Edicoes/69/artigo142436-3.asp

Mas, repito, nada substitui um contacto directo com o papel desta excelente publicação. Claro que o Brasil é uma potência do ténis mundial (recordo que Maria Esther Bueno, muito antes dos feitos de Gustavo Kuerten, venceu por três vezes Wimbledon e houve outros grandes craques brasileiros como Koch, Kirmayr, Cassio Motta, o próprio Meligeni, etc) e que o país tem um mercado incomparável com o nosso, mas será tão difícil fazer uma revista parecida em Portugal? Pelos vistos, é.


A minha revista preferida é a Tennis Magazine francesa: informação abundante, excelentes artigos técnicos, muito textos de opinião e sobretudo magníficas e oportunas entrevistas. Compro-a há décadas e aguardo impacientemente pela chegada de cada novo número. Hoje chegou o número duplo de Janeiro e Fevereiro e já sei o que vou fazer depois de acabar este post. Aspectos menos positivos: preço, língua francesa (não para mim, mas reconheço que a nova geração domina melhor o english) e o quase inevitável chauvinismo gaulês. Enfim, pormenores que não retiram a Tennis Magazine do primeiro lugar do meu ranking pessoal.


Para quem só lê inglês aconselho Ace Tennis, pois há anos que não encontro a Tennis Magazine americana nas nossas bancas. A Ace é um bocado desigual, mas tem por vezes excelentes artigos. É um bocado cara e nem sempre a distribuição funciona como deve ser. Mas vale a pena estar atento a esta revista inglesa, que, apesar disso, costuma malhar bastante no Murray. E então o Henman era um verdadeiro cristo. Um dia destes falarei deste que é um dos meus jogadores preferidos de sempre.


Por fim, e já que a Tennis a fondo tem andado desaparecida (embora sempre que vou a Espanha a encontre...), tenho de falar na recente TVE World Tennis (sairam que eu saiba 4 números). Não é má, mas para mim está no último lugar do ranking. É barata e quem sabe ler português (há muita gente que não sabe... e pensa que sabe!) também consegue perceber o seu conteúdo e, por isso, é sem dúvida uma hipótese interessante e, vá lá, até traz algumas peças curiosas.


Em breve, falarei de alguns livros. Até lá, boas leituras.

Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Master Gonçalo!


Perguntem a um pai se aceitaria que o seu filho tivesse como professor alguém que não esteja devidamente credenciado para o exercício das suas funções. A resposta seria sempre, e os motivos são óbvios, negativa. Sou professor e sou pai e, por isso, julgo saber bem do que falo. Ou, se preferirem, quem deixaria que um seu familiar fosse assistido num hospital por um não-médico? Ninguém de bom senso admitiria sequer colocar uma tal hipótese.
Aliás, o mesmo se passa em todas as outras profissões. Em todas? Não, há um sector em que, qual aldeia gaulesa do Astérix, esta exigência ainda não vingou. Qual? O nosso ténis. Há, de facto, nos últimos anos um esforço por parte da Federação Portuguesa de Ténis (e também do IDP) para alterar esta situação injustificável. Vitor Cabral, responsável pelo sector de formação da FPT, tem - apesar de críticas que lhe podem ser dirigidas (voltarei a este assunto em breve) - realizado, quanto a mim, um trabalho altamente meritório. Com efeito, se não dignificamos a carreira de teinador de ténis, como poderemos acreditar que o ténis evolua?
Mas a verdade é que velhos e maus hábitos persistem e, por vezes, basta alguém empurrar um carrinho de hipermercado cheio de bolas (de preferência carecas e chochas - mas que importância isso tem, se até podemos dizer que elas têm um baixo ressalto? ) para passar por treinador. Conheço no Alentejo vários (sublinho: VÁRIOS!) casos desses e, apesar dos esforços da FPT, os clubes, os jogadores e os pais dos jogadores assobiam para o lado. Porquê? Não sei. Até porque estes pseudo-treinaodres também se fazem pagar e bem.
A que vem esta conversa toda?
É que lentamente o Ténis português começa a perceber que a formação e a investigação são alavancas fundamentais para o seu desenvolvimento. São cada vez mais os exemplos de pessoas do ténis que procuram a Universidade para enriquecer os seus conhecimentos e, assim, melhorar as suas práticas. Ora, na passada sexta-feira, Gonçalo Marques (na foto com três amigos, o que está à sua direita até fez uma época, digamos, razoável no circuito profissional!) concluiu, com brilhantismo, as suas provas de Mestrado em Direcção e Gestão Desportiva. Trata-se de um 2º Ciclo de estudos universitários que funciona numa parceria da Universidade de Évora com a sua congénere da Extremadura espanhola. Sei bem que não é a primeira pessoa ligada ao ténis alentejano que obteve este grau de Mestre. Mas isso só reforça a ideia anterior.
No caso de que tenho vindo a falar, eu li a dissertação, que, amigavelmente, o autor teve a gentileza de me facultar. O trabalho dedica a sua atenção a um plano de desenvolvimento desportivo da cidade de Portalegre, onde o ténis ocupa, naturalmente, um lugar de relevo. Trata-se, portanto, de um óptimo exemplo de uma investigação que tem, pelo menos assim o espero, importantes implicações no desenvolvimento do ténis portalegrense.

Gonçalo Marques é um profissional do ténis que, desde há alguns anos, tem vindo a mostrar no Alentejo (primeiro em Évora e, desde há algum tempo, em Montemor) que a competência e a dedicação são ferramentas essenciais para o desenvolvimento da nossa modalidade nesta região. Tem também exercido as suas funções de director técnico da ATAA com enorme rigor e sabedoria. Espero, por isso, que o ténis alentejano continue a beneficiar, como até aqui, da sua permanência por estas paragens por muitos e bons anos.

Um abraço de parabéns, Master Gonçalo!

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Eleições no CTE: duas boas notícias, uma apreensão e falta de razões para (não) votar

Os leitores deste blog sabem como é, para mim, muito importante o que se passa no Clube Ténis de Évora. Para além de ser o Clube da cidade onde moro, onde habitalmente jogo e treino (às vezes com os meus filhos, que também são sócios do CTE), julgo - e por várias vezes já o disse e escrevi - que este clube tem uma importãncia decisiva no desenvolvimento global do ténis alentejano.
Dito isto, importa referir que, no próximo dia 19, vai haver eleições para os corpos sociais do CTE. Neste que é sempre um momento importante na vida das agremiações desportivas, começo por assinalar duas boas notícias. Em primeiro lugar, apresentou-se ao sufrágio uma lista. E, nos tempos que correm, esta é realmente uma boa nova, pois é sinal que há pessoas que, desinteressadamente, entendem prescindir do seu tempo para ajudar o clube e o ténis em geral. Por outro lado, a maior parte dos elementos dos futuros corpos sociais são pessoas que não têm ocupado cargos no clube, pelo menos nos últimos tempos, o que pode ser um indício de que se quer fazer melhor do que o até agora se realizou. [Abro um parêntesis para deixar uma palavra de apreço para os dirigentes que agora cessam funções e que, pese embora eu nem sempre ter estado de acordo com as decisões que tomaram, tudo o que fizeram foi sem dúvida movido pelas melhores intenções]. Vai haver, portanto, sangue novo no CTE.
Contudo, vejo com alguma apreensão o facto de, tanto quanto julgo saber, nenhum dos elementos da futura direcção ser jogador ou treinador de ténis (pelo menos nenhum deles está, salvo erro, inscrito na federação como tal). Claro que não era preciso que isso sucedesse, mas eu acho que não seria pior que quem dirige os destinos de um clube de ténis saiba alguma coisa de ténis. Ora, saber de ténis é, desde logo, ter alguma experiência prática da modalidade. De facto, quase todos os futuros elementos da direcção apenas têm uma ligação ao clube (e ao desporto que é a sua principal razão de ser) por via dos filhos que jogam ou aprendem ténis. Isso, em si mesmo, não é um problema, mas a história recente e menos recente do CTE ensina-nos que, muitas vezes, quando os filhos se desmotivam, os pais dirigentes também perdem o interesse em continuar a trabalhar com a motivação inicial e o clube, nessas ocasiões, saiu, do meu ponto de vista, bastante prejudicado. Por outro lado, à mulher de César não basta ser séria e, muitas vezes, existem inevitáveis conflitos de interesse entre as funções de pai e de dirigente. Oxalá que tal não venha a acontecer.
Ainda assim, e até pelo que acabei de dizer, penso que seria preferível que a lista única tivesse apresentado um programa de acção e elencado um conjunto de objectivos (desportivos sobretudo) que visará alcançar no próximo mandato. É que uma coisa é votar numa lista porque não há mais ninguém disposto a arcar a responsabilidade de governar o CTE e, por isso, no próximo sábado lá irei deixar o meu voto (que razões tenho para não o fazer?!). Contudo, isso significará sempre uma espécie de vitória por falta de comparência. Outra coisa bem diferente (e, acrescento, bem melhor!) seria votar num projecto bem estruturado que me desse boas razões para nele acreditar. Ora, que eu saiba (mas posso andar distraído!), ninguém sabe ainda qual o programa dos futuros corpos sociais do clube, o que é naturalmente uma pena.
De qualquer modo, desejo desde já toda a sorte do mundo para os novos dirigentes do CTE!

Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Federer vs Espanha: o meu desejo para 2010!


É uma ideia mil vezes repetida. E realmente é uma coisa óbvia. O ténis é um desporto individual. Sim, já falei anteriormente dos pares, mas, infelizmente, trata-se de uma espécie de parente pobre dos singulares. Mas há também as competições por equipas que, desde os níveis competitivos mais baixos até às provas mais importantes (Davis Cup e Federation Cup) contribuem decisivamente para o ténis ter a popularidade que tem. No que ao ténis alentejano diz rspeito, já me referi aqui às excelentes prestações dos veteranos (+45 e +50) do Clube de Ténis de Évora nas respectivas fases nacionais dos respectivos campeonatos. Infelizmente, a agremiação do Bairro do Granito não jogou a 1ª Divisão do Campeonato Nacional por equipas no escalão de séniores, o que foi naturalmente uma pena, embora eu não saiba quais os motivos para essa desistência e, suponho, para a despromoção da equipa sénior do CTE no próxima época. Esperemos que, em 2010, este e os outros clubes alentejanos apostem decisivamente nos populares interclubes.
Mas o próximo ano terá uma importância extraordinária ao nível mundial das provas por equipas. Em femininos de 3 a 6 de Fevereiro disputa-se em Lisboa, nos novos courts cobertos do Jamor, o Grupo II da Fed Cup, estando prevista a participação (para além de Portugal, em princípio com Michelle, Neuza, Frederica Piedade - do CTMN! - Magali, Maria João Kohler) diversos países que, normalmente, trarão as suas principais jogadoras. De acordo com o que escreve Pedro Keul, hoje no Público, «além de Portugal, Dinamarca (Wozniacki, actual 4.ª do ranking) e Bielorrússia (Azarenka, 7.ª) são muitas as equipas que deverão trazer a Portugal algumas das melhores tenistas do mundo: Israel (Shahar Peer, 31.ª), Hungria (Agnes Szavay, 40.ª), Suíça (Patty Schnyder, 45.ª), Roménia (Sorana Cirstea, 46.ª), Áustria (Sybille Bammer, 55.ª), Eslovénia (Polona Hercog, 70.ª), Grã-Bretanha (Elena Baltacha, 85.ª), Bulgária (Tsevetana Pironkova, 97.ª), Holanda (Michaela Krajicek, 130.ª) e Suécia (Sofia Arvidsson, 141.ª). Letónia (que subiu do Grupo II com Portugal), Bósnia/Herzegovina e Croácia são as únicas selecções que contam com jogadoras pouco conhecidas». Para quem gosta de ténis feminino, vai ser uma autêntica festa! Rigorosamente a não perder!

Na Taça Davis, que a Espanha acabou de vencer como se esperava, derrotando na final a República Checa (apesar dos esforços de Berdych e Stepanek), anuncia-se um duelo magnífico na primeira ronda de 2010 do Grupo Mundial. No primeiro fim de semana de Março (de 5 a 7), Nadal e seus muchachos recebem a Suíça. Infelizmente, Federer não indica esta prova no seu programa de 2010 (cf. http://www.rogerfederer.com/en/rogers/schedule/index.cfm ), preferindo em princípio participar no BNP Paribas Open Indian Wells, que se realiza na semana seguinte nos Estados Unidos. É uma opção compreensível? Talvez. E é sobretudo uma situação que obriga, mais uma vez, a reflectir sobre os calendários excessivamente apertados do ténis profissional.

Ainda assim, Federer é um tenista que aprecia bastante a Taça Davis. Se repararmos, o suíço, desde 1999, tem jogado a competição em todas as épocas (na segunda foto, festejando uma vitória sobre Djokovic, em Genebra, há três anos), apresentando um saldo de resultados bastante interessante: 27 vitórias contra 6 derrotas em singulares (9-2 em terra batida, onde é possível que a Espanha opte por jogar) e 10-5 (3-1 em clay courts) em pares. Por outro lado, eu acho que a melhor proeza de Federer em 2009 foi aceitar ir jogar (na semana seguinte a perder a final do US Open!) a Itália - em terra batida! - a eliminatória da Davis debaixo de dificeis condições atmosféricas, tendo vencido sem espinhas Seppi e Bolelli em três curtos sets, não tendo jogado pares, pois Wawrinka fez a sua parte, derrotando Seppi também por 3-0.

Há quem pense que Federer só deveria apostar a sério na Davis se existissem mais tenistas suiços de bom nível. Contudo, para mim isso não serve de desculpa, pois já houve equipas vencedoras da Davis que se apoiavam sobretudo num jogador. Por exemplo, quais os elementos da formação da Suécia em 1975 que foi o primeiro a país a interpor-se no domínio tradicional dos maiores vencedores da prova , isto é, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Austrália e França? Jogaram na final Borg e ... Ove Bengston (quem?!!!). [Os puristas referirão o triunfo no ano anterior da África do Sul, mas a Índia, a selecção finalista, não compareceu ao encontro da final por motivos políticos (o inconcebível apartheid...), pelo que acho que é um campeonato sem validade.] Posteriormente, as vitórias da RFA em 1988 e 1989(suportadas por Becker e ... Steeb e Jelen!!!), da Alemanha (entretanto reunificada) em 1993 (com Stich e ... Goellner e Kuhnen!!!) são também bons exemplos de vencedores da Davis com conjuntos bastante desequilibrados.

Claro que é mais fácil vencer jogos nesta prova com equipas homogéneas (e sobretudo com uma boa dupla, como Portugal, ao nosso nível, muito bem sabe!), mas acredito que Federer, que, de resto, faz um bom par com Wawrinka (ganharam o ouro nos Jogos Olímpicos!), irá fazer tudo para preencher o seu palmarés com este troféu que lhe falta. Tudo? Espero que sim. A começar por ir a Espanha jogar em Março próximo, de preferência com uma vitória por 3-2, com triunfos sobre Nadal em singulares e ... em pares! Seria uma forma magnífica de começar em cheio uma época onde, na minha opinião, a Suiça pode vencer a Davis. E, prometo, se isso viesse a acontecer, compraria uma semana de bilhetes no Estoril Open para o ir ver jogar todos os dias. Se isso não for possível, ao menos que as meninas da Suíça venham até Lisboa jogar a Fed Cup na sua máxima força. Será talvez a minha última oportunidade de ver jogar ao vivo uma das minhas tenistas favoritas: Patty Schnyder!