Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

João António, Jogador ATAA 2009


Tomás Almeida (E.T.Espinho), Afonso Viana (S.C.Porto), Luis Faria (C.T.Guimarães), Afonso Portugal (S.C.A.S.), Duarte Vale (CTQta Marinha), Francisco Paulo (CT Estoril ), Diego Herrera (CIF), Gonçalo Carvalho (CAD), João António (FAAT ), Ricardo Romão (CTVRSA), Ricardo Chumbinho (CTVRSA), Louis Manson (JSTA), Javier Esteban (C.T.São Miguel ), Ricardo Correia (C.T.São Miguel), Daniel Rodrigues (CTF) e Pedro Lourenço. Estes são os dezasseis miúdos apurados para o Masters Nacional do Circuito Sub 10 do PNDT, a realizar nos dias 5 e 6 de Dezembro, em Lisboa. Nada nos garante que estes sejam os futuros campeões do ténis português, mas a verdade é que parecem estar no bom caminho.
Entre eles, tenho de destacar uma vez mais o ferreirense João António (na foto, ao lado de Sousa Costa) que, na Gala 2009, foi distinguido pela ATAA como Jogador do Ano. Distinção justíssima, pois o João, para além dos bons resultados a nível nacional no seu escalão, bateu também a concorrência alentejana nos Sub 12. Mas julgo que se trata igualmente de um prémio merecido para a sua dedicada treinadora Ana Rita, para os seus pais e para o seu irmão Guilherme que muito têm feito para ajudar a crescer um jogador que, apesar de viver numa localidade onde há apenas um polidesportivo para jogar a sua modalidade preferida, tem muito para dar ao ténis português. Sei que, tal como a Pipa, o João irá passar a representar um clube que não pertence à ATAA, mas também tenho a certeza que essa decisão foi seriamente ponderada pelos seus pais, com vista a proporcionar ao jovem tenista de apenas dez anos o melhor futuro possível. Por isso, só me resta desejar ao João António toda a sorte do mundo e garantir que, pela minha parte, vou continuar a acompanhar o seu percurso, como tenista e sobretudo como pessoa, com a maior atenção!

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Federer


É oficial! Roger Federer termina o ano de 2009 no primeiro lugar do ranking ATP, após vencer em Londres o escocês Andy Murray por 3/6, 6/3 e 6/1. São, por isso, compreensíveis as suas declarações que aqui reproduzimos a partir da edição de hoje do jornal O Jogo: «Tem um significado muito grande para mim ter voltado a ser número e poder agora encerrar o ano também como número um", reagiu, numa clara alusão ao facto de após o título em Wimbledon, em Julho, ter destronado Nadal da liderança. "Está a ser um ano incrível, quer dentro quer fora dos courts, e é fantástico ter batido o recorde de títulos do Grand Slam e fechar o ano a número um", acrescentou o novo campeão mundial que, recorde-se, foi pai de gémeas no passado mês de Julho». (http://www.ojogo.pt/25-278/artigo834611.asp ).

E a pergunta que agora se pode fazer é esta: o que há ainda para Federer conquistar?

Na minha opinião, quase tudo. Porque estou absolutamente convencido de que o suiço trocaria todos os títulos que alcançou este ano por uma vitória inequívoca, baseada numa clara demonstração da sua superioridade tenística, na final de Roland Garros frente a um Nadal que estivesse então em super-forma. Pelos motivos conhecidos, esse duelo tantas vezes anunciado não se concretizou e, infelizmente, poderá mesmo vir a ser impossível de reeditar. Não só porque Federer está cada vez mais ameaçado pelo resto da concorrência (Del Potro, por exemplo, será depois de amanhã um osso bem duro de roer...), como porque o maiorquino parece estar a viver uma das fases mais difíceis da sua carreira. Será que em 2010 poderemos assistir a novos confrontos entre os dois maiores campeões da última década com ambos a jogar o melhor que sabem e que podem? O Ténis só teria a ganhar com isso!

Só depois de vencer esse derradeiro desafio (e isso está longe de ser um dado adquirido... por isso é que é um desafio!) Federer poderá finalmente começar a preparar a sua retirada, com uma desejada conquista da Davis Cup pelo seu país (estará Stanislas Wawrinka à altura? Julgo que sim!) e com a obtenção de uma medalha de ouro em singulares nos próximos Jogos Olímpicos de 2012 em Wimbledon!
Por incrível que pareça, é como se Federer precisasse de vencer Nadal, com este a jogar ao seu melhor nível, para poder tornar-se definitivamente o melhor tenista de todos os tempos.
Mas, até lá, convém ir comprando os bilhetes para, no próximo Estoril Open, desfrutar o espectáculo proporcionado por um jogador exemplar em termos técnicos e profissionais, mas a quem, na minha opinião, ainda falta vencer o maior desafio da sua extraordinária carreira!

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Torneio Dr. José Luís Silva: Três justos vencedores e dois destaques justificados



Terminou neste fim de semana a época desportiva do ténis alentejano e, do meu ponto de vista, o ano encerrou da melhor maneira, com a realização, nos courts do C.T. Évora, do torneio B de veteranos que recebeu o significativo nome Dr. José Luís Silva. Trata-se de uma homenagem justíssima que o clube eborense (o único da ATAA que em 2009 organizou provas para os menos novos... o que deveria ser objecto de reflexão por parte dos outros clubes!) decidiu prestar ao seu sócio fundador e antigo dirigente que, há muitos anos, é um grande entusiasta da nossa modalidade.

Houve jogos muito interessantes (alguns bem demorados, eu que o diga...) e sobretudo viveu-se um óptimo ambiente ao longo dos dois dias do torneio, tendo sido curioso que, muitas vezes, os filhos se comportam muito melhor do que os pais quando assistem aos jogos destes do que quando sucede o contrário. Jogaram-se três escalões e, segundo penso, os títulos foram atribuídos com inteiro mérito.

No quadro de +35, o eborense Pedro Cruchinho (a representar o CTMN) apresentou-se num considerável apuro de forma, tendo vencido dois jogadores do Top 20 nacional deste escalão: o esquerdino Emanuel Cadorio (nos 1/4 finais) e o inglês Chris Manson (na final). O Pedro teve muitos problemas de lesões nesta temporada, mas agora que esses problemas parecem ter sido ultrapassados surgiu a jogar extremamente bem. Para além disso, é o jogador mais correcto com que alguma vez joguei, revelando um fair-play e uma postura em campo exemplares.

Entre os mais de 45, o aljustrelense Francisco Rocha (CT Évora) (na foto, à esquerda) venceu a prova, apesar de me parecer em forma menos boa do que em Setembro quando jogou o Nacional em Vale do Lobo. Neste escalão, destacou-se o espanhol Ignacio Gracera (CT Évora) que apresentou um ténis clássico e um magnífico toque de bola. Ignacio perdeu nas meias com Rocha, mas o jogo foi muito equilibrado e interessante, tendo o português vencido sobretudo graças à sua impressionante condição física. Para o espanhol ficou a consolação de ter vencido a competição de pares de + 45, fazendo equipa com José Batanete.

Por fim, nos +55, o inevitável Sebastião Fernandes arrecadou mais um troféu, apesar de por vezes ter complicado as suas vitórias frente a adversários que, para mim, jogam bastante menos do que ele. Nesta prova merece ainda realce a prestação de Alberto Macedo (CT Évora), ao oferecer excelente réplica ao finalista do torneio, José Gomes, que se superiorizou, após longas horas de combate, em virtude da sua maior rodagem competitiva.
Sebastião Fernandes e Pedro Cruchinho jogaram também a final de pares em + 35 tendo perdido frente ao autor destas linhas e a Gonçalo Marques (à direita, na foto), num jogo em que os finalistas vencidos acusaram, de alguma forma, o esforço dispendido nas competições de singulares.

Em suma, o ténis alentejano em veteranos revela um dinamismo e uma vitalidade que, na minha opinião, os escalões mais jovens não apresentam. E isso deveria merecer uma séria reflexão de todos os que, na nossa região, gostam de Ténis!

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Outras figuras de 2009: Boa sorte, Pipa!

Outro dos momentos emocionantes da Gala da ATAA 2009 foi, para mim, a despedida de Ana Filipa Santos (na foto, com o seu pai, Octávio) do Clube Ténis de Montemor e da própria Associação de Ténis alentejana. A Pipa conquistou, na temporada que agora finda, tudo o que era possível vencer a nível regional, a saber: Campeonatos de Sub 14, Sub 16, Sub 18 e Absoluto em singulares femininos. Campeonato Absoluto em Pares Mistos. Campeonato por Equipas em Sub 14. Como se tudo isto não bastasse, a Ana Filipa revelou mais uma vez todo o seu potencial tenístico que faz dela uma das promissoras jogadoras portuguesas da sua geração. A sua partida representa uma grande perda para o ténis feminino alentejano? Claro que sim. Mas se a Pipa e os seus Pais, que são um exemplo no modo sempre atento mas discreto como acompanham a carreira desportiva da filha, entenderam que era preferível representar o clube onde habitualmente treina em Santo André, só temos de aceitar, compreender e apoiar essa decisão. Eu continuarei a seguir a evolução daquela que neste momento é a melhor tenista do Alentejo e que, repito (porque isto é o mais importante!), vai ser com certeza uma das melhoras jogadoras nacionais. Por isso: Boa Sorte, Pipa! Os teus futuros êxitos serão também os êxitos do ténis alentejano!

Outras figuras de 2009: Sebastião Fernandes

Costuma dizer, com orgulho, que é o atleta da Associação de Ténis do Alto Alentejo com o número de licença da FPT mais baixo, sendo por isso aquele que é federado há mais tempo e de forma ininterrupta. Não sei se isso é verdade ou não, mas também pouco interessa. Sebastião Fernandes (à direita, na foto) é uma figura incontornável do ténis alentejano e, apesar de durante esta época não ter competido tanto em provas nacionais como em anos anteriores, mais uma vez esteve em destaque nas competições mais importantes da nossa região. Assim, fez uma dobradinha, vencendo o Campeonato Regional nos escalões de + 50 e de +55 anos, tendo derrotado nesta última prova o seu habitual parceiro de treinos, Manuel Rijo (à esquerda). Mas, para além disso, chegou à final de pares masculinos e de pares mistos no Regional Absoluto, o que só demonstra que, para o Sebastião, o ténis de competição é uma das muitas coisas boas da vida que ele tanto aprecia. Por outro lado, ele é uma das pessoas mais disponíveis para treinar e sobretudo para colaborar com a formação dos tenistas mais jovens que eu conheço. Tantas vezes se predispõe a fazer sets com adversários mais fracos e bastante mais jovens, revelando uma paciência invulgar. O Sebastião tem um enorme talento para o ténis e, se trabalhasse mais alguns aspectos tácticos do seu jogo, julgo que muito poucas vezes perderia com tenistas nacionais do seu escalão. Talvez para o ano isso venha a suceder. Pelo menos assim o espero.
Na última Gala da ATAA, o velho campeão, com o seu humor inconfundível, dizia para quem o quis ouvir, tantas foram as vezes que teve de ir ao palco receber e entregar prémios: «Canso-me mais nestas Galas do que a jogar Ténis!». E quem, como eu, o vê há tantos anos a correr nos courts tem de estar de acordo!

CTE: eterna fatalidade ou uma nova chance para mudar?

Há dias referi-me neste blog aos motivos que, do meu ponto de vista, fazem do Clube de Ténis de Évora um case study. Na verdade, este clube tinha e continua a ter todas as condições para ser o mais importante clube de ténis da região alentejana e, neste momento, não o é. Se tal se devesse ao valor e à excelência dos outros emblemas que fazem parte da ATAA, isso não constituiria um problema de maior. Mais: se fosse esse o caso, o CTE poderia aproveitar o estímulo da concorrência e, deste modo, contribuir com a sua parte para o desenvolvimento do ténis no Alentejo. Mas essa não é a realidade. O CTE não se destaca numa região tenística que, ela própria, tem um significado quase irrelevante no âmbito do ténis português que, por sua vez, está longe de ser uma potência da modalidade, como sabemos e como todos lamentamos.
Mas voltemos ao Alentejo e ao enigma CTE. Enigma, porquê? Recordo, por exemplo, a sua localização geográfica. Évora é a cidade mais importante do Alentejo. Por razões históricas e patrimoniais, pelo seu aglomerado populacional, pela sua capacidade (ainda assim escassa em relação ao potencial que, na minha opinião, tem) de atrair turismo, pela sua centralidade administrativa e pelo facto de ser a única sede de uma Universidade na região. Em suma, o CTE tinha tudo para dar certo e a verdade é que não tem dado...
Mas, não adianta chover no molhado. Para mim o que verdadeiramente falta ao CTE é quem avance com ideias para o futuro. Ou seja, há que aproveitar e potenciar o que já existe, mudar o que se considere errado e sobretudo inventar novos projectos. Só assim se respeita o esforço e a audácia daqueles que, como Jorge Soeiro Alves e José Luís Silva (que o clube homenageia todos os anos com a realização de dois torneios de veteranos com o seu nome - uma excelente iniciativa da actual direcção, de resto!), juntaram ao seu gosto pelo ténis o amor à cidade.
Sem qualquer pretensiosismo (mas eu odeio ainda mais a falsa modéstia...) e num momento em que se avizinham eleições para os orgãos sociais do clube, permitam-me que comece por remeter o leitor para o texto aqui publicado em 12 de Outubro. Aí apresento algumas sugestões tendo vista a organização interna dos clubes de ténis. Haverá com certeza outras formas, mas, acima de tudo, penso que nos próximos quatro anos o CTE terá de balizar a sua acção dentro dos seguintes objectivos:
1. Profissionalizar a gestão corrente do clube (com a criação do cargo de director desportivo a trabalhar em full time no clube).
2. Investir a sério e com rigor na qualificação profissional dos seus quadros técnicos.
3. Apostar com determinação na captação e formação de jogadores: ida de técnicos às escolas de 1º ciclo através de programas de mini-ténis, cativar em primeiro lugar os miúdos do Bairro do Granito para a prática do ténis através de descontos especiais na escola e no aluguer dos campos, baixar significativamente as mensalidades da escola de ténis, realização permanente (uma vez por mês, por exemplo) de competições informais - isto é, não federadas - para sócios e alunos das escolas, etc.
4. Ter uma política desportiva coerente e sobretudo paciente. Os resultados no ténis demoram anos. São precisas várias gerações bem sucedidas para que o desenvolvimento de um clube fique assente em bases sólidas. Por isso, é indispensável estabelecer objectivos desportivos. Como? Em número de jogadores federados e rankeados por escalão e não em títulos, como é evidente, pois estes dependem também da natureza aleatória de qualquer competição desportiva. O que será preferível: ter vinte jogadores com classificação FPT por escalão (ou seja, que participaram pelo menos em 3 provas federadas) ou ter um só jogador federado que, por acaso, é o campeão regional? Como se costuma dizer, em terra de cegos...
5. Estabelecer protocolos com empresas e estabelecimentos de ensino (Universidade de Évora, mas não só), para a realização de actividades em parceria. Não é possível que o CTE se esqueça que o ténis é uma competição eminentemente social.
6. Aproveitar as instalações existentes para a dinamização de outras actividades sociais e desportivas no clube.

Não será tarefa fácil, mas esta é claramente uma chance para mudar o rumo de um clube que, caso não inflicta a sua trajectória, num futuro cada vez mais próximo, será conhecido por um conjunto dos muros em ruina dentro dos quais, em tempos idos, algumas pessoas se divertiam com uma raquete de ténis nas mãos. Ora, o leitor terá que convir que o CTE não tem o valor estético, histórico e patrimonial do Templo Romano...

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Sousa Costa e Diogo Rocha: mens sana in corpore sano

Foi um êxito de participações a Gala dos Campeões 2009, promovida pela Associação de Ténis do Alto Alentejo. Com efeito, mais de cem pessoas juntaram-se na noite da passada sexta-feira no restaurante Senhora da Visitação em Montemor-o-Novo, para festejar mais uma temporada do ténis alentejano. Julgo que é acertada a decisão de antecipar este evento para o mês de Novembro, pois a Gala costuma coincidir com outras festas de fim de ano e de Natal, o que retira a possibilidade de muita gente interessada participar. Desta vez, a moldura humana era significativa.
Tal como é habitual nesta ocasião, foram galardoados os campeões regionais individuais (singulares e pares) e por equipas, nos diversos escalões. Para além disso, foram distinguidos pela ATAA o jogador do ano (João António, de Ferreira Activa), o treinador do ano (Gonçalo Marques, CTMN) e o clube do ano (Clube Ténis de Montemor). Todavia, este ano foi introduzida uma novidade na Gala e a Associação decidiu atribuir um Prémio Carreira a uma pessoa que muito tem dado a ténis alentejano. Refiro-me a Sousa Costa, um jovem de setenta e sete anos que é treinador (a título gracioso) e dirigente do Clube de Ténis de Aljustrel, tendo ajudado a preparar excelentes jogadores formados na localidade mineira, tais como Francisco Rocha, João Silvério ou Diogo Rocha. Coube, aliás, ao jovem Diogo (na foto, à esquerda do premiado) efectuar o discurso evocativo do homenageado, tarefa de que se saiu tão bem como quando está no court a usar a sua raquete. Recordo que o Diogo Rocha, em representação do Clube de Ténis de Aljustrel, se sagrou este ano Campeão Regional de Sub 18, prémio merecido para um jogador com muito talento e que tinha estado afastado do ténis federado nos últimos anos. Mas o que mais me impressionou no Diogo esta época foi a forma (às vezes demasiado) entusiástica como apoiou o pai, Francisco, no último Nacional de Veteranos jogado no mês de Setembro em Vale do Lobo. Nessa altura, apercebi-me bem da sua enorme generosidade e da grande admiração que nutre pelo seu Pai.
Foi este, para mim, o momento mais memorável da Gala 2009. Na verdade, Sousa Costa é um exemplo para todos nós, pois continua a participar, com entusiasmo que às vezes muitos miúdos não revelam, em competições de veteranos, tendo, de resto, sido apurado para o Masters da presente edição da Copa Ibérica, ao mesmo tempo que é também presença habitual no Campeonato Nacional do seu escalão. Depois de ouvir, emocionado, as palavras amigas e muito sentidas do seu pupilo Diogo, Sousa Costa limitou-se a revelar, com a simplicidade que o caracteriza, qual é o seu lema: mens sana in corpore sano!
Mas a Gala 2009 teve outros motivos de interesse. Por isso, a ela voltarei em breve.

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

CTE, um verdadeiro "case study"?


Há cerca de quinze anos que sou sócio e praticante no Clube de Ténis de Évora. Assisti, por isso, a muitas transformações no clube ao longo desta década e meia. Desde logo, nos equipamentos de apoio aos campos. Quem não se recorda da célebre barraquinha do senhor Rafael que, embora com uma estrutura frágil e desconfortável, criava um ambiente que infelizmente nunca mais se conseguiu recuperar? Mas a verdade é que, apesar de alguns erros cometidos (que não interessa aqui repisar), hoje as instalações do clube são incomparavelmente melhores do que em meados dos anos noventa. Para além disso, são utilizados desde há alguns anos nove courts (6 de piso rápido e 3 de terra-batida), ainda que eu ache que continua a fazer muita falta um campo coberto. Por outro lado, a vida do clube passou por períodos de grande dinamismo, reflectidos no aumento do número de jogadores e na realização de muitas competições – algumas delas de considerável importância e de enorme relevo mediático (lembro os Nacionais Absolutos e de Juniores de 2005 ou ITF feminino de 10 000 dólares, no ano anterior, salvo erro). Esta dinâmica ficou a dever-se em larga medida à contratação de treinadores que passaram a desempenhar essas funções em full-time, o que ajudou imenso à progressão do clube: os jogadores passaram a treinar e a jogar melhor, as competições subiram de nível em termos técnicos e organizativos. Em suma, o meu clube passou a prestar um melhor serviço à modalidade. Do meu ponto de vista, o CTE, que acolheu treinadores como Gerard Quenardel, Gonçalo Marques ou Raul Antequera (para me referir apenas àqueles que trabalharam e agora já não trabalham em Évora a tempo inteiro), não se pode queixar de falta de qualidade dos seus quadros técnicos. Outra questão seria saber por que motivo estes profissionais não permaneceram durante mais tempo no clube. Também é preciso referir que o trabalho dos treinadores do CTE quase nunca viu a dimensão de fomento e de captação de jovens para o clube como uma prioridade, o que foi pena.
Finalmente, o CTE também não tem que se lamentar de uma eventual falta de qualidade potencial dos seus atletas. Sem nunca ter feito realmente uma tentativa sistemática e consistente no fomento do ténis (e por isso o número de jogadores nunca foi o que, na minha opinião, realmente poderia ter sido), mesmo assim o CTE recebeu bastantes jogadores com atributos naturais muito adequados para a nossa modalidade. Para me referir apenas àqueles que conheci pessoalmente e com quem joguei ou treinei, e sem a preocupação de apresentar uma lista exaustiva, estou a recordar-me dos seguintes: Manuel M., Ana F., Cristina M., Inês B., Nuno L., Rui P., Nuno e Salvador C., Jorge e Pedro N., Bruno e Filipe M., João A., Jorge F., Carlos F., André e Joana H., Duarte D., André R., José L., António T., Rita, Miguel e Rodrigo P, Afonso M. Indico estes nomes sem os identificar por completo, pois esta lista é pessoal e, se calhar, estou a esquecer-me de outros com tantas ou mais aptidões para o ténis. Todos estes jogadores começaram a jogar ou pelo menos passaram pelo clube do Granito. Por isso, pergunto: quantos deles foram devidamente aproveitados para o ténis pelo clube? Não estou a dizer que qualquer um deles reunisse as condições necessárias para seguir uma carreira profissional. Bem vistas as coisas, acho que nenhum deles lá poderia chegar com bases suficientemente sólidas, ainda que em rigor nunca seja possível fazer esse cálculo com absoluta certeza. Porém, no meu entender, todos ficaram aquém do que o seu potencial prometia. E, pior, abandonaram o ténis ou andam lá perto.
Ora, a principal preocupação de um clube de ténis é fazer tudo (ou quase) para que os seus membros e em especial aqueles que pretendem (aprender a) jogar ténis alcancem esse objectivo. Se possível, ao longo de toda a sua vida. Ou seja, os clubes precisam de se preocupar antes de mais com isto: que quem chegue ao clube aprenda e que continue a jogar, independentemente do nível a que jogue. Reconheço que, neste processo, há muitos factores que os clubes não podem controlar. Por exemplo, há jogadores que se lesionam, podendo isso constituir um factor que impeça a sua continuidade no ténis. Ou muitas vezes os jovens decidem escolher outro desporto. Mas por que motivo nenhum dos jogadores referidos – e eu acho que todos eles tinham bastante jeito e gostavam de ténis! – pratica neste momento (pelo menos que eu saiba) a modalidade que, a certa altura, escolheu? Se repararmos na lista de praticantes licenciados no site FPT, verificamos que nenhum destes nomes lá aparece.
Esta é uma das razões – para mim, a mais decisiva – para considerar o Clube de Ténis de Évora um verdadeiro case study. Julgo que o CTE é, por razões históricas e em virtude da sua localização geográfica e da qualidade das suas instalações, o clube do Alentejo com mais potencial. Infelizmente isso não tem sido verdadeiramente aproveitado. Quem perde com a situação é o ténis e, em especial, o ténis alentejano. Exagero meu? Julgo que não. Quantas equipas conseguirá o CTE apresentar nos campeonatos regionais do grupo juvenil no próximo ano? Que futuro pode ter um clube de ténis que não aposta na formação de jovens jogadores?
Contudo, como acho que este não é um destino inevitável, em próximo texto irei apresentar algumas propostas que, do meu ponto de vista, poderão ajudar o CTE (se os sócios e os futuros corpos sociais do clube assim o quiserem, como é óbvio!) a atingir um patamar que até agora, e apesar dos inegáveis progressos acima referidos, ainda não conseguiu atingir.

Domingo, 8 de Novembro de 2009

10 ideias simples para melhorar o ténis no Alentejo


1. Apostar a sério e em todos os concelhos da região na divulgação da modalidade nos escalões sub 10 através de programas de mini-ténis nas escolas com treinadores devidamente preparados para o efeito.


2. Fornecer bolsas de apoio ou mesmo formas de isenção de pagamento aos miúdos que, no decurso desses programas, revelarem mais aptidão (empenho, disponibilidade motora, comportamento, habilidade) para a modalidade. Seria uma forma de atenuar o exagerado diferencial que há entre o mini-ténis gratuito nas escolas e o ténis altamente dispendioso nos clubes.


3. Fomentar a competição não oficial no interior dos clubes e restringir o número de torneios federados e, assim, privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade na organização das provas.


4. Criar um circuito de provas dos escalões sub 12, sub 14 e sub 16 para rapazes e para raparigas com uma etapa em cada um dos clubes da região. No fim do ano, realizar um masters com os oito melhores classificados de cada escalão.


5. Juntar os melhores atletas de cada escalão (dos sub 12 aos +50) numa espécie de selecção do Alentejo com vista a obter melhores resultados nos nacionais por equipas.


6. Fomentar a competição dessas selecções do Alentejo com jogadores da Extremadura e da Andaluzia (Espanha).


7. Realizar competições sociais (torneios inter-famílias, inter-escolas, inter-empresas, etc) como forma de atrair mais pessoas as clubes.


8. Construir pelo menos dois campos cobertos na região.


9. Diminuir consideravelmente os preços dos alugueres dos campos e das prestações mensais nas escolas de ténis dos clubes e divulgar massivamente essas baixas de preços.


10. Pôr os interesses do Ténis à frente dos interesses dos jogadores, dos treinadores, dos dirigentes e das famílias de todos eles.

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

A grande festa do Ténis Alentejano


É já no próximo dia 13 (sexta-feira) - se acreditasse em superstições, diria que a data pode dar azar! - que se realiza em Montemor-o-Novo, no restaurante Sra da Visitação, o tradicional jantar de Gala da Associação de Ténis do Alto Alentejo. É uma reunião que desde há anos se realiza e na qual são entregues os troféus respeitantes aos diversos campeões regionais individuais (singulares e pares) e por equipas de todas as provas regionais que se realizaram ao longo do ano. Outro momento alto desta festa é a atribuição de prémios aos Jogador, Treinador e Clube do Ano, designados pela ATAA, de acordo com critérios previamente acordados por todos os Clubes. Consta que, na edição desta temporada, será ainda entregue um Prémio Especial. Eis as lista dos campeões de 2009:
Regionais Individuais

Sub 12
SM Campeão: João António – Finalista: João Maria Lima
SF Campeã: Didiana Mariano – Finalista:Rita Rodrigues
PM Campeões: João António/ David Pedreirinho – Finalistas:Eduardo Martins/ Samuel Santos
Sub 14
SM Campeão: Pedro Santos – Finalista: Gonçalo Saúde
SF Campeã: Ana F Santos – Finalista: Maria Cruz
PM Campeões: Pedro Santos/ Gonçalo Saúde – Finalista: João Marques/ Afonso Costa
Sub 16
SM Campeão: Pedro Santos – Finalista: António Vedor
SF Campeã: Ana F Santos – Finalista: Gabriela Macedo
PM Campeões: João Marques/ Gonçalo Canita – Finalistas: António Vedor/ David Escudeiro
Sub 18
SM Campeão: Diogo Rocha – Finalista: Gonçalo Saúde
SF Campeã: Ana F Santos – Finalista: Patrícia Guerra
PM Campeões: João Bule/ Ricardo Santos – Finalistas: Guilherme Palma/ Miguel Nunes
Seniores
Campeão: José Ferreira – Finalista: Gonçalo Simões
Campeã: Ana F Santos – Finalista: Marta Correia
Campeões: João Lima/ Gonçalo Marques – Finalistas: Sebastião Fernandes/ José Ferreira
Campeões: Ana F Santos/ Gonçalo Marques – Finalistas: Marta Correia/ Sebastião Fernandes
Veteranos
Campeão: +35 – Francisco Rocha – Finalista: Gonçalo Marques
Campeão: +40 – João Lima – Finalista: José Batanete
Campeão: +45 – José Batanete – Finalista: José Minas
Campeão: +50 – Sebastião Fernandes – Finalista: Joaquim Simões
Campeão: +55 - Sebastião Fernandes – Finalista: Manuel Rijo
Campeões Regionais Equipas
Sub 12 – CT Montemor; Sub 14M – CT Évora; Sub 14 F– CT Montemor; Sub 16 – CT Montemor; Seniores – CT Montemor; Veteranos +35 – CET Elvas

Enfim, há muitos prémios para distribuir e é, sobretudo, uma óptima ocasião para, num ambiente de grande fair-play, todos os atletas, treinadores, pais e dirigentes conviverem entre si.

Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Olha que dois cromos...


A contra-ciclo das notícias tenísticas do dia, desde as péssimas, como a possibilidade (porventura merecida) de Agassi vir a perder a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) pelos motivos já aludidos em anterior post, até às excelentes como a confirmação dada por João Lagos da presença de Federer na próxima edição do Estoril Open, volto a publicar algumas das minhas recordações pessoais como espectador da mais importante prova internacional que se disputa em Portugal. Devo dizer que os meus dias preferidos para me deslocar ao Jamor são a segunda, a terça ou a quarta, pois é nessa altura que podemos ver maior número de jogadores quer em competição (dedico especial atenção aos pares, como devem perceber pelo que aqui tenho escrito), quer sobretudo em treino. Durante a última edição do Estoril Open, assisti a um episódio que julgo ser bastante interessante. Caminhava eu na direcção do centralito quando me cruzei com uma figura conhecida. Um tipo careca com um rosto muito marcado por cicatrizes que parecem ser resultado de acne juvenil e com uma forte compleição física, apesar de não ser muito alto. De quem se tratava? Thierry Tulasne. Quem?!
Sim, Thierry Tulasne, um dos melhores jogadores franceses da sua geração, e que é agora o treinador de ... Gilles Simon.
Tulasne foi um jogador que prometeu muito enquanto júnior – os franceses apostavam mais nele do que em Leconte (têm a mesma idade, 46 anos) – mas a verdade é que foi menos bem sucedido na sua carreira profissional. Ainda assim, alcançou o 10º lugar do ranking ATP em 1986, com 23 anos portanto. Contudo, Leconte, o ritton (como era conhecido pelos jornalistas franceses devido ao seu feitio mimado) teve de facto mais sucesso: finalista de Roland Garros, onde levou um banho de ténis do Wilander, nº 5 ATP e sobretudo vencedor da Taça Davis ao lado de Noah e de Forget. Venceu ainda Roland Garros (1984) em pares fazendo equipa com o seu amigo Yannick. Tulasne era um típico jogador de terra batida (chegou a atingir as 1/2 finais de Monte Carlo) e as suas melhores pancadas eram a esquerda e a direita, sempre poderosas e muito liftadas. Contudo, julgo que não terá evoluído o suficiente nos outros sectores do jogo para justificar nas competições profissionais o nível evidenciado nos torneios juniores (nº 1 mundial e vencedor de vários torneios do Grad Slam neste escalão).
Pois bem era Tulasne quem descia as escadas que dão acesso ao centralito e, atrás dele, balouçando uma única raquete, quase com medo que dessem por ele, o top ten Gilles Simon (no início de 2009, era apenas o número 6 mundial, tendo agora descido para 12º lugar, muito por força de uma lesão num joelho). Estes dois tipos banais foram quase atropelados por uma multidão que, visivelmente, não os reconheceu. Ou, mesmo que os tenha reconhecido, não lhes deu a mínima importância. Não foi o meu caso, pois fiz meia volta e pus-me a perseguir aqueles dois cromos que pareciam ser uns daqueles frequentadores habituais de fim de semana do Estádio Nacional, com uma só raquete na mão e com t-shirts banalíssimas, mas adequadas para treinar (parecidas com as da foto, diga-se). Dirigiram-se para um dos courts secundários do Jamor onde, após esperarem pacientemente que o irmão e o sobrinho de Davydenko acabassem a sessão de treino com uma jovem tenista que, confesso, não faço a mais pequena ideia quem seja e após Tulasne ir resolver demoradamente o pequeno pormenor de se terem esquecido das bolas de treino, começaram finalmente treinar.
Primeira nota: não fizeram o mais pequeno exercício de aquecimento sem raquete (admito que tivessem feito isso no ginásio ou noutro sítio qualquer...), começando a trocar bolas em ritmo de mini-ténis e rapidamente passaram a bater do fundo de campo, com Simon a troçar das dificuldades que Tulasne manifestava ao cortar a sua esquerda que, quase invariavelmente, ou ficava na rede ou ia fora. Enfim, tudo se passava como se tratassem de dois amigos (e ao que parece são mesmo...) que praticam um ténis social.
Segunda nota: o absoluto toque de bola de Simon que, em meu entender, é um dos mais talentosos jogadores da actualidade. Excelente jogo de pés (é um falso lento, um pouco no estilo de outro grande e esquecido tenista, o checo Miroslav Mecir) e uma capacidade quase inacreditável de bater a bola na subida, retirando assim tempo de reacção ao adversário.
Terceira nota: a quase completa indiferença dos espectadores em relação a este treino, pois nas bancadas estava apenas eu e dois jornalistas franceses que trabalhavam numa reportagem sobre Simon para um canal televisivo francês. O cameraman chegou a explanar-me uma teoria - que não é totalmente absurda - segundo a qual, antes de Nadal inventar a sua técnica de direita, já o Tulasne terminava o movimento em cima da cabeça.
Enfim, no court estavam dois tipos que visivelmente fazem o que gostam (e são muitíssimo bem pagos por isso...) e que, para além disso, passam despercebidos entre as multidões. Em termos de popularidade, Simon é uma espécie de anti-Nadal ou de anti-Federer e, no entanto, já venceu os dois. Dos quatro membros da nova geração de mosqueteiros do ténis gaulês, e apesar do talento de Tsonga, da espectacularidade de Monfils e da fabulosa backhand de Gasquet (uma espécie de ritton dos dias de hoje), talvez Simon não seja o que tem menor qualidade e potencial(eu acho que não é!), mas é de certeza o menos referido e o menos falado. E, valha a verdade, este jogador low profile também não parece importar-se muito com isso.
Quanto a Tulasne, também parecia muito pouco aborrecido com a indiferença das multidões. Pelo contrário o seu estilo era como se pensasse «Isso é coisa para os Nadais e para os Federer, como noutros tempos foi para os Noahs e para os Lecontes... E ainda bem!»

Duas horas depois, Simon estava no Central para despachar, com a mesma naturalidade com que treina, o seu adversário daquele dia, o italiano Fognini, sempre sob o olhar atento do vieux Thierry.