Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Ténis ... à lareira!






















Com o tempo que faz agora, apetece-me menos sair de casa para ir jogar ténis. A hora do almoço é a única suportável para se bater umas bolas nesta época no Alentejo. Isso não significa que os tenistas devam hibernar neste tempo em que a actividade é menos intensa. É uma boa altura para apostar na preparação física com umas idas ao ginásio, por exemplo.Por outro lado, enquanto esperamos pelo início da temporada, há pouco ténis na televisão. Em breve, estará a entrar pelas nossas casas e (sobretudo pelas nossas madrugadas...) o Australian Open, mas ainda faltam algumas semanas.O que fazer, então, enquanto o Inverno tenístico não passa? Eis uma boa ocasião para os aficionados da modalidade dedicarem alguma atenção àquilo que se escreve e publica acerca dela. Por agora, dedicarei a minha atenção às publicações periódicas. Claro que hoje o ténis tem uma presença quase diária nos canais televisivos temáticos (Sport TV e Eurosport), embora curiosamente só na altura do Estoril Open a RTP dedique alguma atenção ao nosso jogo. Por outro lado, há nesta altura, como nunca houve, muita informação que podemos retirar dos blogs e dos sites na Internet.Mas, mesmo assim, há coisas que precisam de ser lidas, até para estimular a inteligência que, desse modo, nos ajuda a perceber melhor o jogo.


Assim, perguntar-se-á: o que se pode ler sobre ténis em Portugal e em especial no Alentejo? Para além de ser escandalosa a inexistência de uma revista portuguesa especializada, não vivemos propriamente no deserto editorial. Para começar, convem que refira o Jornal do Ténis que costuma sair na primeira sexta-feira de cada mês com o jornal Record e que é sempre uma alternativa razoável, pois não custa nada para quem compra o jornal. Mas só por causa deste suplemento mensal vale a pena estar atento no início de cada mês. O Jornal do Ténis acompanha bastante as provas internacionais, dando justificado destaque às prestações dos jogadores portugueses. Aprecio especialmente a coluna do meu amigo Miguel Seabra - com quem cheguei a fazer alguns animados sets na Figueira, embora não o tenha visto por lá nestes últimos anos... - que, para além de tudo, é uma pessoa que exemplifica um princípio que acho importante: para se saber de ténis a sério não basta saber apenas de ténis. E eu acho que o Miguel sabe muito de ténis. Aspectos menos positivos do Jornal do Ténis? A escassez de páginas não dará com certeza para tudo, mas achava interessante que se procurasse explorar mais aspectos técnicos e até tácticos do jogo.


Ainda em português (mas do Brasil...), chegou-me recentemente às mãos a magnífica Revista Tênis. Preço acessível, muitos artigos de opinião - e este é um aspecto em que hoje as revistas tenísticas têm de apostar, pois o leitor já sabe o que aconteceu via televisão ou internet, mas precisa de saber por que motivo tal aconteceu... - e em especial excelentes artigos técnicos, sobre táctica e estratégia de jogo e, pasme-se, sobre ética e fair-play. Por exemplo, no último exemplar que chegou à minha tabacaria (e esse - o atraso com que chega a Portugal - é o maior problema desta publicação, pois já sairam pelo menos 6 números entretanto), devo destacar o extraordinário artigo da autoria do treinador Carlos Omaki com o título Saiba se comportar na quadra (nº 69, pp. 34-38). Não resisto a citar uma (muito útil) passagem sobre o que o autor chama "torcida prejudicial :«Lembre-se que você, tenista, é o responsável por todas as pessoas que ingressam em um clube ou academia para assistir seus jogos. Por isso, nada de levar bagunceiros para irritar o adversário ou torcedores muito acostumados com outros esportes - como futebol, por exemplo -, em que manifestações espontâneas e barulhentas são normais. Todos os atos de seus acompanhantes, sejam pais, técnicos ou torcedores, serão cobrados de você com o uso dos códigos de conduta». Lapidar!!! Se quiserem ler o artigo todo, é favor consultar o seguinte endereço electrónico: http://revistatenis.uol.com.br/Edicoes/69/artigo142436-3.asp

Mas, repito, nada substitui um contacto directo com o papel desta excelente publicação. Claro que o Brasil é uma potência do ténis mundial (recordo que Maria Esther Bueno, muito antes dos feitos de Gustavo Kuerten, venceu por três vezes Wimbledon e houve outros grandes craques brasileiros como Koch, Kirmayr, Cassio Motta, o próprio Meligeni, etc) e que o país tem um mercado incomparável com o nosso, mas será tão difícil fazer uma revista parecida em Portugal? Pelos vistos, é.


A minha revista preferida é a Tennis Magazine francesa: informação abundante, excelentes artigos técnicos, muito textos de opinião e sobretudo magníficas e oportunas entrevistas. Compro-a há décadas e aguardo impacientemente pela chegada de cada novo número. Hoje chegou o número duplo de Janeiro e Fevereiro e já sei o que vou fazer depois de acabar este post. Aspectos menos positivos: preço, língua francesa (não para mim, mas reconheço que a nova geração domina melhor o english) e o quase inevitável chauvinismo gaulês. Enfim, pormenores que não retiram a Tennis Magazine do primeiro lugar do meu ranking pessoal.


Para quem só lê inglês aconselho Ace Tennis, pois há anos que não encontro a Tennis Magazine americana nas nossas bancas. A Ace é um bocado desigual, mas tem por vezes excelentes artigos. É um bocado cara e nem sempre a distribuição funciona como deve ser. Mas vale a pena estar atento a esta revista inglesa, que, apesar disso, costuma malhar bastante no Murray. E então o Henman era um verdadeiro cristo. Um dia destes falarei deste que é um dos meus jogadores preferidos de sempre.


Por fim, e já que a Tennis a fondo tem andado desaparecida (embora sempre que vou a Espanha a encontre...), tenho de falar na recente TVE World Tennis (sairam que eu saiba 4 números). Não é má, mas para mim está no último lugar do ranking. É barata e quem sabe ler português (há muita gente que não sabe... e pensa que sabe!) também consegue perceber o seu conteúdo e, por isso, é sem dúvida uma hipótese interessante e, vá lá, até traz algumas peças curiosas.


Em breve, falarei de alguns livros. Até lá, boas leituras.

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