Perguntem a um pai se aceitaria que o seu filho tivesse como professor alguém que não esteja devidamente credenciado para o exercício das suas funções. A resposta seria sempre, e os motivos são óbvios, negativa. Sou professor e sou pai e, por isso, julgo saber bem do que falo. Ou, se preferirem, quem deixaria que um seu familiar fosse assistido num hospital por um não-médico? Ninguém de bom senso admitiria sequer colocar uma tal hipótese.
Aliás, o mesmo se passa em todas as outras profissões. Em todas? Não, há um sector em que, qual aldeia gaulesa do Astérix, esta exigência ainda não vingou. Qual? O nosso ténis. Há, de facto, nos últimos anos um esforço por parte da Federação Portuguesa de Ténis (e também do IDP) para alterar esta situação injustificável. Vitor Cabral, responsável pelo sector de formação da FPT, tem - apesar de críticas que lhe podem ser dirigidas (voltarei a este assunto em breve) - realizado, quanto a mim, um trabalho altamente meritório. Com efeito, se não dignificamos a carreira de teinador de ténis, como poderemos acreditar que o ténis evolua?
Mas a verdade é que velhos e maus hábitos persistem e, por vezes, basta alguém empurrar um carrinho de hipermercado cheio de bolas (de preferência carecas e chochas - mas que importância isso tem, se até podemos dizer que elas têm um baixo ressalto? ) para passar por treinador. Conheço no Alentejo vários (sublinho: VÁRIOS!) casos desses e, apesar dos esforços da FPT, os clubes, os jogadores e os pais dos jogadores assobiam para o lado. Porquê? Não sei. Até porque estes pseudo-treinaodres também se fazem pagar e bem.
A que vem esta conversa toda?
É que lentamente o Ténis português começa a perceber que a formação e a investigação são alavancas fundamentais para o seu desenvolvimento. São cada vez mais os exemplos de pessoas do ténis que procuram a Universidade para enriquecer os seus conhecimentos e, assim, melhorar as suas práticas. Ora, na passada sexta-feira, Gonçalo Marques (na foto com três amigos, o que está à sua direita até fez uma época, digamos, razoável no circuito profissional!) concluiu, com brilhantismo, as suas provas de Mestrado em Direcção e Gestão Desportiva. Trata-se de um 2º Ciclo de estudos universitários que funciona numa parceria da Universidade de Évora com a sua congénere da Extremadura espanhola. Sei bem que não é a primeira pessoa ligada ao ténis alentejano que obteve este grau de Mestre. Mas isso só reforça a ideia anterior.
No caso de que tenho vindo a falar, eu li a dissertação, que, amigavelmente, o autor teve a gentileza de me facultar. O trabalho dedica a sua atenção a um plano de desenvolvimento desportivo da cidade de Portalegre, onde o ténis ocupa, naturalmente, um lugar de relevo. Trata-se, portanto, de um óptimo exemplo de uma investigação que tem, pelo menos assim o espero, importantes implicações no desenvolvimento do ténis portalegrense.
Gonçalo Marques é um profissional do ténis que, desde há alguns anos, tem vindo a mostrar no Alentejo (primeiro em Évora e, desde há algum tempo, em Montemor) que a competência e a dedicação são ferramentas essenciais para o desenvolvimento da nossa modalidade nesta região. Tem também exercido as suas funções de director técnico da ATAA com enorme rigor e sabedoria. Espero, por isso, que o ténis alentejano continue a beneficiar, como até aqui, da sua permanência por estas paragens por muitos e bons anos.
Um abraço de parabéns, Master Gonçalo!
