Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Federer vs Espanha: o meu desejo para 2010!


É uma ideia mil vezes repetida. E realmente é uma coisa óbvia. O ténis é um desporto individual. Sim, já falei anteriormente dos pares, mas, infelizmente, trata-se de uma espécie de parente pobre dos singulares. Mas há também as competições por equipas que, desde os níveis competitivos mais baixos até às provas mais importantes (Davis Cup e Federation Cup) contribuem decisivamente para o ténis ter a popularidade que tem. No que ao ténis alentejano diz rspeito, já me referi aqui às excelentes prestações dos veteranos (+45 e +50) do Clube de Ténis de Évora nas respectivas fases nacionais dos respectivos campeonatos. Infelizmente, a agremiação do Bairro do Granito não jogou a 1ª Divisão do Campeonato Nacional por equipas no escalão de séniores, o que foi naturalmente uma pena, embora eu não saiba quais os motivos para essa desistência e, suponho, para a despromoção da equipa sénior do CTE no próxima época. Esperemos que, em 2010, este e os outros clubes alentejanos apostem decisivamente nos populares interclubes.
Mas o próximo ano terá uma importância extraordinária ao nível mundial das provas por equipas. Em femininos de 3 a 6 de Fevereiro disputa-se em Lisboa, nos novos courts cobertos do Jamor, o Grupo II da Fed Cup, estando prevista a participação (para além de Portugal, em princípio com Michelle, Neuza, Frederica Piedade - do CTMN! - Magali, Maria João Kohler) diversos países que, normalmente, trarão as suas principais jogadoras. De acordo com o que escreve Pedro Keul, hoje no Público, «além de Portugal, Dinamarca (Wozniacki, actual 4.ª do ranking) e Bielorrússia (Azarenka, 7.ª) são muitas as equipas que deverão trazer a Portugal algumas das melhores tenistas do mundo: Israel (Shahar Peer, 31.ª), Hungria (Agnes Szavay, 40.ª), Suíça (Patty Schnyder, 45.ª), Roménia (Sorana Cirstea, 46.ª), Áustria (Sybille Bammer, 55.ª), Eslovénia (Polona Hercog, 70.ª), Grã-Bretanha (Elena Baltacha, 85.ª), Bulgária (Tsevetana Pironkova, 97.ª), Holanda (Michaela Krajicek, 130.ª) e Suécia (Sofia Arvidsson, 141.ª). Letónia (que subiu do Grupo II com Portugal), Bósnia/Herzegovina e Croácia são as únicas selecções que contam com jogadoras pouco conhecidas». Para quem gosta de ténis feminino, vai ser uma autêntica festa! Rigorosamente a não perder!

Na Taça Davis, que a Espanha acabou de vencer como se esperava, derrotando na final a República Checa (apesar dos esforços de Berdych e Stepanek), anuncia-se um duelo magnífico na primeira ronda de 2010 do Grupo Mundial. No primeiro fim de semana de Março (de 5 a 7), Nadal e seus muchachos recebem a Suíça. Infelizmente, Federer não indica esta prova no seu programa de 2010 (cf. http://www.rogerfederer.com/en/rogers/schedule/index.cfm ), preferindo em princípio participar no BNP Paribas Open Indian Wells, que se realiza na semana seguinte nos Estados Unidos. É uma opção compreensível? Talvez. E é sobretudo uma situação que obriga, mais uma vez, a reflectir sobre os calendários excessivamente apertados do ténis profissional.

Ainda assim, Federer é um tenista que aprecia bastante a Taça Davis. Se repararmos, o suíço, desde 1999, tem jogado a competição em todas as épocas (na segunda foto, festejando uma vitória sobre Djokovic, em Genebra, há três anos), apresentando um saldo de resultados bastante interessante: 27 vitórias contra 6 derrotas em singulares (9-2 em terra batida, onde é possível que a Espanha opte por jogar) e 10-5 (3-1 em clay courts) em pares. Por outro lado, eu acho que a melhor proeza de Federer em 2009 foi aceitar ir jogar (na semana seguinte a perder a final do US Open!) a Itália - em terra batida! - a eliminatória da Davis debaixo de dificeis condições atmosféricas, tendo vencido sem espinhas Seppi e Bolelli em três curtos sets, não tendo jogado pares, pois Wawrinka fez a sua parte, derrotando Seppi também por 3-0.

Há quem pense que Federer só deveria apostar a sério na Davis se existissem mais tenistas suiços de bom nível. Contudo, para mim isso não serve de desculpa, pois já houve equipas vencedoras da Davis que se apoiavam sobretudo num jogador. Por exemplo, quais os elementos da formação da Suécia em 1975 que foi o primeiro a país a interpor-se no domínio tradicional dos maiores vencedores da prova , isto é, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Austrália e França? Jogaram na final Borg e ... Ove Bengston (quem?!!!). [Os puristas referirão o triunfo no ano anterior da África do Sul, mas a Índia, a selecção finalista, não compareceu ao encontro da final por motivos políticos (o inconcebível apartheid...), pelo que acho que é um campeonato sem validade.] Posteriormente, as vitórias da RFA em 1988 e 1989(suportadas por Becker e ... Steeb e Jelen!!!), da Alemanha (entretanto reunificada) em 1993 (com Stich e ... Goellner e Kuhnen!!!) são também bons exemplos de vencedores da Davis com conjuntos bastante desequilibrados.

Claro que é mais fácil vencer jogos nesta prova com equipas homogéneas (e sobretudo com uma boa dupla, como Portugal, ao nosso nível, muito bem sabe!), mas acredito que Federer, que, de resto, faz um bom par com Wawrinka (ganharam o ouro nos Jogos Olímpicos!), irá fazer tudo para preencher o seu palmarés com este troféu que lhe falta. Tudo? Espero que sim. A começar por ir a Espanha jogar em Março próximo, de preferência com uma vitória por 3-2, com triunfos sobre Nadal em singulares e ... em pares! Seria uma forma magnífica de começar em cheio uma época onde, na minha opinião, a Suiça pode vencer a Davis. E, prometo, se isso viesse a acontecer, compraria uma semana de bilhetes no Estoril Open para o ir ver jogar todos os dias. Se isso não for possível, ao menos que as meninas da Suíça venham até Lisboa jogar a Fed Cup na sua máxima força. Será talvez a minha última oportunidade de ver jogar ao vivo uma das minhas tenistas favoritas: Patty Schnyder!

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