
Há cerca de quinze anos que sou sócio e praticante no Clube de Ténis de Évora. Assisti, por isso, a muitas transformações no clube ao longo desta década e meia. Desde logo, nos equipamentos de apoio aos campos. Quem não se recorda da célebre barraquinha do senhor Rafael que, embora com uma estrutura frágil e desconfortável, criava um ambiente que infelizmente nunca mais se conseguiu recuperar? Mas a verdade é que, apesar de alguns erros cometidos (que não interessa aqui repisar), hoje as instalações do clube são incomparavelmente melhores do que em meados dos anos noventa. Para além disso, são utilizados desde há alguns anos nove courts (6 de piso rápido e 3 de terra-batida), ainda que eu ache que continua a fazer muita falta um campo coberto. Por outro lado, a vida do clube passou por períodos de grande dinamismo, reflectidos no aumento do número de jogadores e na realização de muitas competições – algumas delas de considerável importância e de enorme relevo mediático (lembro os Nacionais Absolutos e de Juniores de 2005 ou ITF feminino de 10 000 dólares, no ano anterior, salvo erro). Esta dinâmica ficou a dever-se em larga medida à contratação de treinadores que passaram a desempenhar essas funções em full-time, o que ajudou imenso à progressão do clube: os jogadores passaram a treinar e a jogar melhor, as competições subiram de nível em termos técnicos e organizativos. Em suma, o meu clube passou a prestar um melhor serviço à modalidade. Do meu ponto de vista, o CTE, que acolheu treinadores como Gerard Quenardel, Gonçalo Marques ou Raul Antequera (para me referir apenas àqueles que trabalharam e agora já não trabalham em Évora a tempo inteiro), não se pode queixar de falta de qualidade dos seus quadros técnicos. Outra questão seria saber por que motivo estes profissionais não permaneceram durante mais tempo no clube. Também é preciso referir que o trabalho dos treinadores do CTE quase nunca viu a dimensão de fomento e de captação de jovens para o clube como uma prioridade, o que foi pena.
Finalmente, o CTE também não tem que se lamentar de uma eventual falta de qualidade potencial dos seus atletas. Sem nunca ter feito realmente uma tentativa sistemática e consistente no fomento do ténis (e por isso o número de jogadores nunca foi o que, na minha opinião, realmente poderia ter sido), mesmo assim o CTE recebeu bastantes jogadores com atributos naturais muito adequados para a nossa modalidade. Para me referir apenas àqueles que conheci pessoalmente e com quem joguei ou treinei, e sem a preocupação de apresentar uma lista exaustiva, estou a recordar-me dos seguintes: Manuel M., Ana F., Cristina M., Inês B., Nuno L., Rui P., Nuno e Salvador C., Jorge e Pedro N., Bruno e Filipe M., João A., Jorge F., Carlos F., André e Joana H., Duarte D., André R., José L., António T., Rita, Miguel e Rodrigo P, Afonso M. Indico estes nomes sem os identificar por completo, pois esta lista é pessoal e, se calhar, estou a esquecer-me de outros com tantas ou mais aptidões para o ténis. Todos estes jogadores começaram a jogar ou pelo menos passaram pelo clube do Granito. Por isso, pergunto: quantos deles foram devidamente aproveitados para o ténis pelo clube? Não estou a dizer que qualquer um deles reunisse as condições necessárias para seguir uma carreira profissional. Bem vistas as coisas, acho que nenhum deles lá poderia chegar com bases suficientemente sólidas, ainda que em rigor nunca seja possível fazer esse cálculo com absoluta certeza. Porém, no meu entender, todos ficaram aquém do que o seu potencial prometia. E, pior, abandonaram o ténis ou andam lá perto.
Ora, a principal preocupação de um clube de ténis é fazer tudo (ou quase) para que os seus membros e em especial aqueles que pretendem (aprender a) jogar ténis alcancem esse objectivo. Se possível, ao longo de toda a sua vida. Ou seja, os clubes precisam de se preocupar antes de mais com isto: que quem chegue ao clube aprenda e que continue a jogar, independentemente do nível a que jogue. Reconheço que, neste processo, há muitos factores que os clubes não podem controlar. Por exemplo, há jogadores que se lesionam, podendo isso constituir um factor que impeça a sua continuidade no ténis. Ou muitas vezes os jovens decidem escolher outro desporto. Mas por que motivo nenhum dos jogadores referidos – e eu acho que todos eles tinham bastante jeito e gostavam de ténis! – pratica neste momento (pelo menos que eu saiba) a modalidade que, a certa altura, escolheu? Se repararmos na lista de praticantes licenciados no site FPT, verificamos que nenhum destes nomes lá aparece.
Esta é uma das razões – para mim, a mais decisiva – para considerar o Clube de Ténis de Évora um verdadeiro case study. Julgo que o CTE é, por razões históricas e em virtude da sua localização geográfica e da qualidade das suas instalações, o clube do Alentejo com mais potencial. Infelizmente isso não tem sido verdadeiramente aproveitado. Quem perde com a situação é o ténis e, em especial, o ténis alentejano. Exagero meu? Julgo que não. Quantas equipas conseguirá o CTE apresentar nos campeonatos regionais do grupo juvenil no próximo ano? Que futuro pode ter um clube de ténis que não aposta na formação de jovens jogadores?
Contudo, como acho que este não é um destino inevitável, em próximo texto irei apresentar algumas propostas que, do meu ponto de vista, poderão ajudar o CTE (se os sócios e os futuros corpos sociais do clube assim o quiserem, como é óbvio!) a atingir um patamar que até agora, e apesar dos inegáveis progressos acima referidos, ainda não conseguiu atingir.

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