Há dias referi-me neste blog aos motivos que, do meu ponto de vista, fazem do Clube de Ténis de Évora um case study. Na verdade, este clube tinha e continua a ter todas as condições para ser o mais importante clube de ténis da região alentejana e, neste momento, não o é. Se tal se devesse ao valor e à excelência dos outros emblemas que fazem parte da ATAA, isso não constituiria um problema de maior. Mais: se fosse esse o caso, o CTE poderia aproveitar o estímulo da concorrência e, deste modo, contribuir com a sua parte para o desenvolvimento do ténis no Alentejo. Mas essa não é a realidade. O CTE não se destaca numa região tenística que, ela própria, tem um significado quase irrelevante no âmbito do ténis português que, por sua vez, está longe de ser uma potência da modalidade, como sabemos e como todos lamentamos.Mas voltemos ao Alentejo e ao enigma CTE. Enigma, porquê? Recordo, por exemplo, a sua localização geográfica. Évora é a cidade mais importante do Alentejo. Por razões históricas e patrimoniais, pelo seu aglomerado populacional, pela sua capacidade (ainda assim escassa em relação ao potencial que, na minha opinião, tem) de atrair turismo, pela sua centralidade administrativa e pelo facto de ser a única sede de uma Universidade na região. Em suma, o CTE tinha tudo para dar certo e a verdade é que não tem dado...
Mas, não adianta chover no molhado. Para mim o que verdadeiramente falta ao CTE é quem avance com ideias para o futuro. Ou seja, há que aproveitar e potenciar o que já existe, mudar o que se considere errado e sobretudo inventar novos projectos. Só assim se respeita o esforço e a audácia daqueles que, como Jorge Soeiro Alves e José Luís Silva (que o clube homenageia todos os anos com a realização de dois torneios de veteranos com o seu nome - uma excelente iniciativa da actual direcção, de resto!), juntaram ao seu gosto pelo ténis o amor à cidade.
Sem qualquer pretensiosismo (mas eu odeio ainda mais a falsa modéstia...) e num momento em que se avizinham eleições para os orgãos sociais do clube, permitam-me que comece por remeter o leitor para o texto aqui publicado em 12 de Outubro. Aí apresento algumas sugestões tendo vista a organização interna dos clubes de ténis. Haverá com certeza outras formas, mas, acima de tudo, penso que nos próximos quatro anos o CTE terá de balizar a sua acção dentro dos seguintes objectivos:
1. Profissionalizar a gestão corrente do clube (com a criação do cargo de director desportivo a trabalhar em full time no clube).
2. Investir a sério e com rigor na qualificação profissional dos seus quadros técnicos.
3. Apostar com determinação na captação e formação de jogadores: ida de técnicos às escolas de 1º ciclo através de programas de mini-ténis, cativar em primeiro lugar os miúdos do Bairro do Granito para a prática do ténis através de descontos especiais na escola e no aluguer dos campos, baixar significativamente as mensalidades da escola de ténis, realização permanente (uma vez por mês, por exemplo) de competições informais - isto é, não federadas - para sócios e alunos das escolas, etc.
4. Ter uma política desportiva coerente e sobretudo paciente. Os resultados no ténis demoram anos. São precisas várias gerações bem sucedidas para que o desenvolvimento de um clube fique assente em bases sólidas. Por isso, é indispensável estabelecer objectivos desportivos. Como? Em número de jogadores federados e rankeados por escalão e não em títulos, como é evidente, pois estes dependem também da natureza aleatória de qualquer competição desportiva. O que será preferível: ter vinte jogadores com classificação FPT por escalão (ou seja, que participaram pelo menos em 3 provas federadas) ou ter um só jogador federado que, por acaso, é o campeão regional? Como se costuma dizer, em terra de cegos...
5. Estabelecer protocolos com empresas e estabelecimentos de ensino (Universidade de Évora, mas não só), para a realização de actividades em parceria. Não é possível que o CTE se esqueça que o ténis é uma competição eminentemente social.
6. Aproveitar as instalações existentes para a dinamização de outras actividades sociais e desportivas no clube.
Não será tarefa fácil, mas esta é claramente uma chance para mudar o rumo de um clube que, caso não inflicta a sua trajectória, num futuro cada vez mais próximo, será conhecido por um conjunto dos muros em ruina dentro dos quais, em tempos idos, algumas pessoas se divertiam com uma raquete de ténis nas mãos. Ora, o leitor terá que convir que o CTE não tem o valor estético, histórico e patrimonial do Templo Romano...
