O Ténis em Portugal vive um momento importante. Nunca como hoje houve tanta atenção mediática sobre a modalidade, sendo que muito desse interesse radica nos excelentes resultados obtidos pelos nossos melhores tenistas, nomeadamente Frederico Gil, Michelle Larcher de Brito, Rui Machado, Neuza Silva e até, apesar de parecer estar a passar por um período menos bom (espero que passageiro...), Gastão Elias. Por outro lado, em relação ao momento em que me iniciei no ténis (na segunda metade da década de Setenta do século passado!), o panorama tenístico português passou por um conjunto de transformações muito profundas. Desde logo, verificou-se um aumento exponencial de campos quer nos principais centros, quer sobretudo numa perspectiva geográfica mais ampla. Por exemplo, quem poderia imaginar há cerca de trinta anos que, em todos os concelhos do Alentejo, haveria campos de ténis ou pelo menos polidesportivos com as dimensões exigidas para a prática oficial da modalidade? Para além disso, sabe-se hoje no nosso país muito mais sobre Ténis do que há algumas décadas atrás: há mais treinadores devidamente formados para o ensino e para o treino, a Internet disponibiliza informações em tempo real de todos os aspectos relacionados com o ténis, o Ténis chegou definitivamente às Universidades quer no plano do ensino quer do da investigação. E, por fim, um aspecto que é muitas vezes esquecido: o material. Raquetes, bolas, máquinas de encordoar passaram a estar muito mais disponíveis para todos os que querem jogar ou aprender a jogar. Seria imaginável nos dias de hoje que, sempre que se partisse uma corda de uma raquete, fosse necessário enviá-la por autocarro para Lisboa para que lhe fosse colocado um novo encordoamento? Este exemplo, que agora é risível, constituia a realidade - que, então, parecia inultrapassável - há trinta anos numa cidade como Coimbra que, de resto, dispunha apenas de 3 campos descobertos de terra batida.
Todas estas modificações conduziram, como é natural, a um aumento significativo no número real de praticantes de ténis. Em suma, o Ténis em Portugal cresceu muito nas últimas décadas, seja qual for a perspectiva que se queira adoptar.
E o Ténis no Alentejo? Se me reportar aos últimos quinze anos (para trás não falo, porque ainda não tinha vindo viver para cá), o que mudou? Em primeiro lugar, muitos dos efeitos da evolução sentida em todo o país tiveram naturais repercussões na nossa região. Contudo, subsistem ainda várias lacunas, algumas delas de difícil compreensão. Centrarei esta análise em três tópicos, sendo que ao nível da divulgação tem havido um esforço notável nem sempre devidamente assinalado. Registo, a título de exemplo, os torneios internacionais realizados em Elvas, Montemor e Évora e a organização dos Nacionais de Juniores e Nacionais Absolutos (em 2005) nesta última cidade. Para quem não saiba ou para quem não se recorde, nesta última prova todos os tenistas acima citados (com excepção de Michelle) participaram na competição!Mas hoje focarei a minha preocupação em alguns dos principais problemas do Ténis na nossa região
1. Equipamentos: há um aumento considerável de campos de ténis, mas continua a não haver um único court coberto. Ora, não é possível treinar ténis em boas condições à noite durante o Inverno em todo o Alentejo. Não é só a chuva que quando aparece cai em quantidade por vezes considerável. Quem já jogou ou treinou ténis à noite durante os meses mais frios sabe como as temperaturas atingem valores quase insuportáveis. Por exemplo, o clube com mais campos (o C.T. de Évora) da região dispõe de 9 nove courts sendo que nenhum deles é coberto.
2. Formação de recursos humanos: há um número significativo de pessoas com formação para treinar e ensinar ténis no Alentejo. Por exemplo, no último Curso de Treinadores de Nível 2 realizado em Junho em Montemor-o-Novo, 8 treinadores obtiveram o respectivo grau. Por outro lado, há pelo menos outros tantos que têm o Nível 1 ou até o Nível 2. No entanto, em alguns clubes trabalham como "treinadores" pessoas que, porventura com a melhor das boas vontades, exercem uma actividade para a qual não estão devidamente creditados. Para além de tal facto não ser permitido por lei, quem poderá garantir a qualidade do treino e do ensino da modalidade?
3. Formação e competição: nos últimos anos verifica-se um claro desinvestimento na formação de jovens tenistas. Excepção feita ao C.T. Montemor-o-Novo, que é um exemplo reconhecido a nível nacional no domínio do Mini-Ténis (apesar de haver algumas dificuldades na transição de muitos desses jovens para o Ténis, situação que não é tão fácil de resolver como possa parecer), há muito poucos rapazes e raparigas a jogar e a aprender a jogar ténis. A médio prazo, caso não se inverta esta preocupante tendência, jovens como João António (Ferreira Activa) e David Pedreirinho (CTMN), os dois da foto, a que será necessário também juntar os também montemorenses Pedro Santos e Didiana Mariano, não terão quem os acompanhe nesta extraordinária aventura que consiste em competir numa modalidade tão aliciante como a nossa.
É até possível que, mais tarde ou mais cedo, estes 4 jovens e alguns outros (embora poucos) deixem de jogar Ténis. Com muitos outros jovens alentejanos já aconteceu isso, pelos mais variados motivos. Mas uma coisa é os jogadores abandonarem o Ténis (embora, se a formação inicial tiver sido correcta, possam sempre regressar alguns anos mais tarde), outra coisa é o Ténis desistir dos jogadores. Em particular dos mais jovens.
Voltarei a este assunto.
Fiquem por isso atentos a este novo blog!
E, já agora, que tal ir bater umas bolas num dia destes?

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