Na última edição da magnífica Tennis Magazine (nº 402, Paris, Outubro de 2009), entre os já habituais imensos motivos de interesse, é justo destacar a excelente entrevista do jornalista britânico Paul Kimmage a Ivan Lendl. Quem? Perguntarão os mais novos ou pelo menos os mais distraídos. Lendl (Ostrava, Checoslováquia, 7 de Março de 1960) foi nº 1 do Mundo durante 270 semanas e venceu 8 torneios do Grand Slam (2 Australian Open, 3 Roland Garros e 3 US Open), tendo ficado muito perto de vencer Wimbledon, objectivo que, segundo a lenda, se tornou a partir de certa altura numa verdadeira obsessão. Dotado de um ténis extremamente moderno, Lendl estabeleceu uma espécie de padrão de jogador do seu tempo, só lhe faltando melhorar o seu jogo de rede para se tornar um tenista completo.
Por outro lado, o tenista ex-checo (tornou-se americano em 1992) cultivou sempre uma imagem fria e distante, que constratava de modo gritante com os histriónicos John McEnroe e Jimmy Connors. Contudo, a verdade é que os três disputaram uma supremacia que marcou os primeiros anos em que o ténis chegou à televisão portuguesa.
Nesta entrevista, ficamos a conhecer mais da personalidade de Lendl que, nos últimos anos, se tem dedicado quase exclusivamente à família e ao golfe, modalidade em que se tornou um competitivo jogador de clube. No entanto, há um excerto do que agora vem publicado na revista francesa que não resisto a citar, numa tradução mais ou menos livre. Falando sobre os contactos que hoje mantém com o seu arqui-rival McEnroe (a quem bateu, em 1984, na final de Roland Garros, na mais célebre derrota do esquerdino americano), Lendl afirma: «Vejo John uma vez por ano no Madison Square Garden. (...) Jerry Solomon e eu organizámos o jogo de exibição entre Sampras e Federer e John estava a comentar o espectáculo para a televisão. Aproveitámos, por isso, para falar e disse-lhe "Sabes John, desde a primeira vez que joguei contigo, no Banana Bowl em Santos, no Brasil, que sempre soube que, um dia, tu irias trabalhar para mim"(p. 107)». Imaginem a cara de Little Big Joe que, de resto, também não esteve mal na resposta que deu, afirmando «Desde que seja só por uma noite!».
Na página que ilustra este post, retirada da revista brasileira Tênis esporte (nº 11, Rio de Janeiro, Fevereiro de 1978, p. 39), podemos descobrir (em baixo) o jovem Ivan, no jogo dessa final do Banana Bowl que Lendl perdeu com McEnroe. A vingança (glaciar como o tenista dos polos dos losangos) seria servida, anos mais tarde, em Paris!
Mas, naquela altura, devo dizer que o meu favorito era o americano. E, aliás, ainda hoje é!!!

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