Num daqueles dias de calor tórrido do Verão alentejano, chegou ao clube de ténis da principal cidade da região um simpático casal de franceses de meia idade para o que parecia ser uma simples diversão turística. O velho funcionário que tratava do aluguer dos courts, com uma astúcia e uma sabedoria que ainda hoje felizmente ostenta, depressa se apercebeu que poderia estar ali uma verdadeira oportunidade para mudar a vida do seu Clube. E realmente não se enganou. A partir de então (estávamos em 1997!) o Ténis mudou naquela cidade. Pela primeira vez um treinador se encarregou a tempo inteiro - e com um profissionalismo inédito até aí por estas paragens - do ensino e do treino da modalidade naquele clube. Pelas suas mãos passaram jovens jogadores como Jorge e Pedro Neves, Jorge Fonseca, Rui Pereira, Nuno e Salvador Cabral, Filipe Marinho, Carlos Fontaínhas, Zé Maria Bouça Ferreira, Duarte Moura Dias, André Rebocho, Zé Ferreira e Pedro Marques que muito evoluíram sob orientação técnica de Gerard Quenardel. Mas também os mais veteranos Joaquim Simões, Artur Marinho, José Pombinho, Manuel Murteira, António Dias (entre outros, um dos quais o autor deste blog) receberam aulas do simpático Professeur que, sem grande esforço, imprimiu uma forte dinâmica desportiva na vida do clube. Lembro-me por exemplo do Torneio Pau de Fileira, realizado em Fevereiro de 1998, que constituiu um notável êxito de participação e entusiasmo: mais de 60 sócios do clube competiram entre si num ambiente de extraordinária convivência. Claro que o Gerard - que não gostava de perder nem a feijões - venceu esse torneio, tendo eu levado uma tareia monumental na final da prova.O Gerard joga um ténis clássico que nessa altura executava com uma perfeição impressionante.Recordo ainda as fantásticas viagens nos Interclubes, sendo a mais inesquecível aquela em que chegámos a Santo André para jogar com a equipa local e aí ninguém sabia de nada. Consultámos os calendários e percebemos que havia dois clubes com o mesmo nome: aquele do litoral alentejano e um outro nos arredores de Lisboa e era precisamente com este que deveríamos jogar. Enfim, foi só um desvio de mais de 150km, mas a verdade é que fizemos a viagem e, nesse mesmo dia, jogámos e ainda voltámos para casa.
Claro que, como todas as pessoas, o Gerard tem virtudes e defeitos, mas julgo que ninguém alguma vez contestou o profissionalismo e a competência deste simpático francês que, com a sua Mulher Cristina (que, durante muito tempo, foi bastante mais do que simples tradutora do marido), por acaso passou um dia de férias em Évora e acabou por marcar um período de 4 anos em que, para mim, o Clube de Ténis de Évora viveu um dos momentos mais entusiasmantes do seu historial e em que, ao mesmo tempo, o Ténis do Alentejo muito se desenvolveu.
A última vez que estive com o Gerard e a Cristina foi este ano no Estoril Open. Estão os dois óptimos (embora o Gerard já não possa competir, por causa de uma lesão nas costas) e vivem na Ericeira.

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